sexta-feira, 1 de abril de 2016

Virando o Jogo

Crise de identidade

Edgar Vaz (*)

Cautelosamente aguardei os dois jogos da Seleção Brasileira para refletir sobre o momento que vivemos. Nossos colegas de imprensa, principalmente da televisão seguem investindo no velho e surrado ufanismo tupiniquim, tentando manter a ideia de que o futebol brasileiro é espetacular. Eventuais criticas são feitas de forma muito velada, e na maioria das vezes batendo em determinados jogadores, sem aprofundar a discussão em torno no que nos levou a mediocridade vivida nos últimos tempos.

O futebol brasileiro está sem comando. E o que é pior, fragilizado pela efervescente onda de corrupção desencadeada a partir da desarticulação dos quadrilheiros que há anos se locupletam através da FIFA.

Quem ainda não conseguiu entender, sugiro a leitura do livro Política, Propina e Futebol, escrito pelo respeitado jornalista Jamil Chade.  Uma obra prima!

A CBF não é nada diferente e segue o mesmo caminho. Uma instituição que arrecada milhões de dólares, explorando a marca de um futebol pobre,  travestido de grife.

Criticar o nível técnico da seleção, contestar a competência do técnico Dunga, é fazer “vistas grossas”, para o verdadeiro problema.

Apontem um dirigente da CBF, que conheça futebol. Pelo menos um.  Apenas um cartola que tenha condições de fazer cobranças à comissão técnica, e até mesmo demiti-la.

Quem saberia dizer em resposta rápida, o nome do presidente da CBF atualmente?

Triste né! Então a comissão técnica formada por uma maioria de profissionais gaúchos, seria motivo para nos calar? Não. Pelo contrário. Na verdade, o único gaúcho que já provou ter capacidade de fazer algo diferente, é o técnico Tite. Mas não serve porque tem amigos que são adversários dos poderosos “enraizados” e “donos” do futebol brasileiro.

O futebol brasileiro se transformou em um grande negócio, com estratosférico faturamento financeiro, mas paupérrimo de lideranças. A incompetência campeia no pomposo prédio da zona sul do Rio de Janeiro, diga-se de passagem, uma “ilha da fantasia”.

O futebol sul americano evoluiu? Até há de ser considerado que sim. Porém, entendo que o Brasil é que parou no tempo. Não temos mais craques. A realidade de hoje, foi se distanciando daquilo que fez do futebol uma paixão nacional.

Não somos mais “aquilo tudo”. A camisa canarinho não mete medo, como no passado!

Simples né? Nossa organização se voltou para os interesses financeiros e não em investimentos na formação de uma estrutura em que pudemos estar à frente do que foi implantado no futebol europeu, por exemplo. Por lá, jogador de futebol tem que ser responsável,  profissional.  Aqui não, cada vez mais o paternalismo protege aqueles que se acham craques. Ganham salários absurdos, endividam os clubes e exploram o bolso do torcedor que cada vez mais fica impossibilitado de entrar nas maravilhosas arenas e faraônicos palcos, onde o que menos se vê é o futebol de qualidade que sempre foi uma marca registrada do Brasil. Que pena! Temos uma geração de torcedores que jamais terão a oportunidade de ver craques vestindo a camisa amarela da nossa seleção!  

(*) Edgar Vaz – Radialista – repórter da Rádio Caxias e presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS