sexta-feira, 1 de abril de 2016

Artigo

E se Tite não topar treinar a Seleção?

André Malinoski (*)

Eu sou um jornalista que acha necessário a troca urgente do comando da Seleção Brasileira. Muitos outros pensam da mesma forma. Não apenas pela pior campanha do Brasil na história das Eliminatórias Sul-Americanas. Isso ainda pode ser mudado nas próximas rodadas da competição. O que me assusta é a completa ausência de matéria-prima de qualidade. E isso, preciso salientar, não é culpa do Dunga. O que é culpa dele é a desolação na questão tática. Não há combinações táticas no time.

Estou cansado das desculpas de sempre. São duas: o pouco tempo para treinar e reunir os jogadores da Seleção e o argumento de que um amistoso é apenas um amistoso. Muitas equipes nacionais têm pouco tempo, a maioria enfrenta essa dificuldade. E se um amistoso não pode ser levado em consideração, então que parem de jogar amistosos e fiquem mais tempo juntos treinando.

O Brasil não tem nada. Repito: nada. Sem Neymar em campo, a equipe é uma escola de samba sem porta-bandeira. Quem é Fernandinho? De onde tiraram esse jogador? Vocês viram alguma triangulação simples dos brasileiros contra o Uruguai e o Paraguai nas Eliminatórias? Eu não vi. E o que foram as bolas nas costas de Daniel Alves? O lateral ainda salvou o time da derrota em Assunção, mas correu atrás do prejuízo e dos atacantes adversários o jogo inteiro.

Há mais a enumerar: bola aérea na defesa brasileira é um deus nos acuda. David Luiz é tudo, menos zagueiro. Se deixarem, o jogador do PSG aparece na ponta, ataque, bate escanteio, salta para cabecear... É capaz de algum dia dar uma ponte e espalmar a bola achando que também é o goleiro.

Então eu chego na questão do título: e se Tite, o provável candidato a substituto de Dunga, disser não à Seleção? Também sou fã do estilo de Tite, mestre em armar times sem peças tão qualificadas e montar esquemas táticos incríveis. Isso eu testemunhei sendo setorista do Grêmio no começo dos anos 2000. O que Tite fazia era realmente muito inovador. Nunca mais vi outro técnico por aqui fazendo coisa parecida. Mas talvez eu esteja cometendo alguma injustiça com os outros treinadores, pois não exerço mais o setor nos clubes há muitos anos.

Pelo que corre de bastidor, Tite jamais aceitaria o convite da CBF para treinar a Seleção com os atuais cartolas no comando. Precisaria acontecer alguma mudança extraordinária na entidade para ele topar conduzir o Brasil. Por isso, acho que talvez ocorra com Tite o mesmo que houve com Muricy Ramalho: o cavalo passe encilhado e ele não monte.

E aí, meus amigos, a questão a se pensar agora é mesmo essa: colocar quem no lugar de Dunga? Infelizmente, eu não tenho a resposta. Mas todos nós sabemos o que acontece com um cavalo sem jóquei. Somos um imenso vale de lágrimas em verde e amarelo. Pelo menos até Tite mudar de ideia.

(*) André Malinoski – Jornalista, Editor de Esportes de O Sul e autor do livro “Os Gigantes Estiveram Aqui”, sobre a Copa do Mundo em Porto Alegre