sexta-feira, 1 de abril de 2016

Olhos de Lince

Roger e a corda. O que ele fará com ela?

Roberto d’Azevedo (*)


Abril está aí, será um mês de decisões (por favor, estou falando só de futebol) e, no caso do Grêmio, o técnico Roger dispõe de todos os elementos para definir o futuro. O dele e o do clube. Na Libertadores e no Gauchão. O crédito das vitórias ou o débito das derrotas irão direto para a sua conta. Qual será o saldo na primeira semana de maio?, eis a questão.

 Houve pré-temporada, houve tempo para testes, houve sorte em momentos que poderiam ter sido fatais, houve lesões que ajudaram mais do que atrapalharam e agora está chegando a hora de “ler” tudo isso e tomar uma decisão. A defesa parece consolidada com a improvisação de Ramiro na lateral-direita, que ganha ares de definição, e a crescente segurança de Fred ao lado de Geromel. A volta do menino Walace escondeu bem a lentidão do capitão Maicon e jogou o foco das indefinições para a frente. Do setor de armação para o ataque é onde está a grande incógnita.

Roger tem dez jogadores para definir quatro titulares. É uma corda grande, que poderá ser muito útil se bem usada, mas, se for mal usada, poderá até ser uma ferramenta eficaz no seu auto enforcamento. Dia 13, no altiplano de Quito, contra a fragilizada LDU, está agendado seu primeiro grande teste neste mês.

A questão de jogar ou não jogar com centroavante ainda não está definida, embora os resultados de campo estejam indicando claramente qual o caminho do sucesso. Douglas ou Lincoln dividem uma das vagas. Bolaños, quando voltar, é titular certo, mas em que posição ? O jogo em Passo Fundo, sem Douglas, sem Giuliano e sem Luan !, mostrou de volta uma velocidade e uma verticalidade que já estavam deixando saudade na torcida e nos admiradores daquele futebol que construiu a reputação do jovem treinador tão logo ele assumiu o lugar de Felipão no ano passado.

Enquanto não se define entre a saúde dos meninos e a experiência dos cascudos, ou como compor com uma e outra, bem que Roger poderia juntar seu grupo à frente da televisão na tarde deste sábado e assistir Barcelona x Real Madri. Os dois treinadores sabem bem onde e como deve atuar o melhor jogador do seu time. Nenhum dos dois, porém, abre mão de um centroavante. Não há lugar para jogador lento ou que não recomponha a marcação. Passe para trás é exceção e, do meio para a frente principalmente, ninguém domina a bola de costas para o gol adversário, a não ser que isso signifique uma grande oportunidade para um companheiro na sequência da jogada. Ali, todo mundo tem bastante corda, mas ninguém corre o risco de se enforcar com ela.

(*) Roberto d’Azevedo - Jornalista