Johan Cruyff, um homem imune à corrupção
Raul Grochau (*)
Gente amiga, confesso que quando me preparava para escrever este texto tive alguma dificuldade para encontrar um adjetivo que representasse a importância de Johan Cruyff para o mundo do futebol. Mito, gênio, fantástico, extraordinário, lenda? Qual deles daria a dimensão exata do que foi o holandês Cruyff? Não sei, pois todos que me passaram pela cabeça pareciam não conter a dimensão exata deste monstro sagrado que encantou o mundo do futebol com o seu talento, inteligência, praticidade e eficiência no trato com a bola. Pois morreu ontem vítima de câncer no pulmão o holandês Johan Cruyff aos 68 anos de idade. Cruyff fumava muito. Foi alertado pelos médicos de que deveria controlar o vício, mas nunca deu ouvidos.
O holandês jogou por seis clubes, marcou 369 gols nos 661 jogos que disputou. Uma média de 1, 7 gols por partida e isto que ele não era centroavante. Cruyff ainda ganhou por três vezes a Bola de Ouro como o melhor jogador do Mundo e além disto foi escolhido por três anos consecutivos o Melhor Jogador Estrangeiro do Campeonato Espanhol.
Mas apesar de todas estas conquistas dentro de campo, além de ter revolucionando o mundo com a Holanda e seu famoso carrossel holandês, ou laranja mecânica, como queiram, entendo que Cruyff ampliou seu espaço de ídolo imortal também por sua postura fora das quatro linhas.
Num momento em que existem pesadas denúncias de corrupção na Conmebol, na Uefa, na Fifa, algumas envolvendo ex-jogadores, alguns monstros sagrados como Platini e Beckenbauer, o holandês Johan Cruyff encerra sua história neste mundo e no universo do futebol com a imagem imaculada.
Quantos atletas que gravitam por este meio podem desfrutar deste status com tamanha grandeza? Pouquíssimos,embora no momento não consiga me lembrar de nenhum, sinceramente. O velho esporte bretão dentro de campo jamais esquecerá Cruyff e o futebol fora de campo precisava muito de outros homens com sua dignidade e retidão de caráter. Que sua história sirva de inspiração para os que administram o futebol pelos vários cantos do mundo.
(*) Raul Grochau - Jornalista e editor do blog Pitacos Esportivos