Argel tem culpa. E os jogadores?
Roberto Thomé (*)
Mais do que nunca Argel continua na marca do pênalti. Depois da eliminação do Internacional na Primeira Liga ele tem tudo para seguir os passos de três colegas que conheceram o caminho da rua onde trabalhavam neste começo de ano. O primeiro deles foi Eduardo Batista, substituído por Levir Culpi no Fluminense. O segundo foi Cristóvão Borges, que deu lugar a Paulo Autuori no Atlético Paranaense. Finalmente, o Palmeiras mostrou o cartão vermelho para Marcelo Oliveira e o trocou por Cuca. Todos passaram pelo roteiro mais do que conhecido no futebol brasileiro, dividido a grosso modo em quatro estágios: cobranças por vitórias, pressão sobre o trabalho, processo de fritura e demissão.
Pelo andar da carruagem, Argel se aproxima da quarta etapa naquela trajetória referida acima. Está por um fio no cargo, ou melhor, por uma ligação do presidente Vitório Piffero, que ressalta a inclusão dos garotos da base no grupo de jogadores como um dos pontos positivos do treinador. Argel respira por aparelhos. É um sobrevivente neste momento.
A verdade é que ele nunca chegou a cair totalmente no gosto da torcida. Muito menos da crítica. Passados oito meses, o Inter não tem padrão de jogo, compactação, equilíbrio, jogadas ensaiadas, etc. Os últimos jogos, empate no desespero em dois a dois com o Fluminense, seguido de derrota nos pênaltis, e empate em zero a zero com o Lajeadense, foram sofríveis, mostraram um nivel de pobreza tática e técnica poucas vezes visto nos últimos tempos colorados.
Eis aí o xis da questão: os problemas são táticos e técnicos. Ou seja, o lado do treinador é só um nesta moeda de cinco centavos. E o dos jogadores? Os chinelinhos, aqueles que andam em campo e desfilam como se fossem craques, sem falar nos medíocres que caem de paraquedas no time e, quando escalados, sentem o peso da camisa. Bem, estes pelo visto têm a complacência dos cartolas. Afinal, foram contratados por eles. Se foram certeiras ou não as negociações é outro problema.
Pois é assim que a coisa funciona por aqui. Por comodismo, facilidade operacional, urgência, a solução é a mesma em 99,9 por cento dos casos. A responsabilidade cai nas costas do treinador. Ele é o culpado de sempre quando as coisas vão de mal a pior ou de pior a pior ainda. O dirigente faz a troca necessária para o momento, se livra das responsabilidades, tira o seu da reta "e vamo que vamo". Deve ser assim com Argel também. Mais cedo ou mais tarde. É claro que clube nenhum do mundo suporta erros, desvios, falta de idéias, por muito tempo. A não ser o Arsenal.
Neste filme visto e revisto ao longo do tempo, os jogadores vão ficar por aí, treinando, jogando, tranquilos à espera de um novo treinador e de sua óbvia demissão mais adiante.
(*) Roberto Thomé - Jornalista, repórter da Rede Record - Editor do blog www.robertothome.com.br