Futebol: a arte e a guerra
Jayme Eduardo Machado (*)
Muito
já se disse sobre Johan Cruyff, mas ainda haverá sempre algo mais a
dizer.
Na arte – e quem disse que futebol não tem arte? – costuma-se distinguir os ícones de uma especialidade em duas categorias: os que foram expoentes em determinada escola, e os que inauguraram uma nova escola. Em quaisquer delas, a consagração é o limite. Mas um lugar especialíssimo no panteon dos ídolos está reservado aos criadores. O holandês foi as duas coisas: símbolo de uma escola – a do futebol total – esta que se aperfeiçoou até o Barcelona de Guardiola e seus seguidores e que todos procuram imitar-, e introdutor, no gramado, daquela forma solta de aparecer em todas e não jogar em nenhuma posição especial. O “cavalinho de ouro” do alegre carrossel holandês de 74 girava a bola com alegria num balé infinito, sem guardar posição. Dele não se pode dizer onde jogava, mas onde não jogava: talvez, no golo.
Na arte – e quem disse que futebol não tem arte? – costuma-se distinguir os ícones de uma especialidade em duas categorias: os que foram expoentes em determinada escola, e os que inauguraram uma nova escola. Em quaisquer delas, a consagração é o limite. Mas um lugar especialíssimo no panteon dos ídolos está reservado aos criadores. O holandês foi as duas coisas: símbolo de uma escola – a do futebol total – esta que se aperfeiçoou até o Barcelona de Guardiola e seus seguidores e que todos procuram imitar-, e introdutor, no gramado, daquela forma solta de aparecer em todas e não jogar em nenhuma posição especial. O “cavalinho de ouro” do alegre carrossel holandês de 74 girava a bola com alegria num balé infinito, sem guardar posição. Dele não se pode dizer onde jogava, mas onde não jogava: talvez, no golo.
Mas
sabemos também que a Holanda perdeu a Copa para a Alemanha, na final de 74. E
de há muito a respeito me ponho intrigado. O treinador Rinus Michels era quem
comandava o time desde a casamata, e Cruyff estava lá no campo, fazia a
“laranja” rolar com facilidade, e até fizera o primeiro gol, no início do giro
do “carrossel”. Os alemães viraram e repetiram a façanha de derrotar o
favorito, como fizeram em 54 contra a Hungria.
De
tanto tentar decifrar a mágica daquele resultado, construi eu mesmo minha
fantasia. A filosofia do Rinus Michels, sabemos todos, era : “o futebol é
guerra!”. Cruyff, seu comandado, parecia introduzir no mantra escolhido pelo
seu treinador, a componente “arte”, e que,
diante daquele adversário, a Alemanha, acabaria mesmo sendo derrotada. Porque,
convenhamos, ninguém
entende e é mais experiente em guerras do que os alemães, tanto que venceram o
jogo, dando razão a Michels. Então é isso: quem ganhou foi a “arte da guerra”, mas quem
entrou para a história foi a “arte do futebol” de quem perdeu aquela guerra.
(*)
Jayme Eduardo Machado - Membro do Conselho Consultivo do Grêmio.