A sobrevida de Argel Fucks
Raul Grochau (*)
Sei que alguns dirão que estou me precipitando ao
já me pronunciar sobre uma eventual saída do Argel no comando técnico do Inter
já que não existe nenhum indício oficial de que o treinador colorado seja
substituído. O Pellegrini chegou a declarar inclusive que Argel Fucks fica até
o final do ano, mas quem acompanha futebol há algum tempo sabe que esta é uma
declaração de praxe. O fato é que o Argel está acuado e sua cara amarrada na
entrevista coletiva desta terça-feira mostrou isto. Não existem mais números
favoráveis para mostrar na comparação com o trabalho do seu antecessor e nem
resultados que possam justificar más atuações do tipo, perdeu mais jogou bem,
pelo contrário. Mesmo quando vence o time do Argel joga mal.
Diante disto, meus amigos, digo, sem medo de errar,
que o Argel, mesmo que ganhe uma sobrevida vencendo o Fluminense hoje,
dificilmente será o técnico do Internacional para o Brasileirão 2016 a menos
que o seu time mostre um futebol espetacular daqui para frente, algo que,
convenhamos, não existe dado de realidade que sustente isto.
A impressão que se tem é que o Argel não consegue
tirar mais nada deste grupo, chegou até onde poderia com estes jogadores. Como
se não bastassem as limitações técnicas de alguns atletas, parece que as declarações
públicas sobre a necessidade de reforços desagradaram algumas lideranças da
equipe. E quem conhece futebol sabe muito bem que quando um jogador do grupo "puxa o freio de mão" as coisas já
ficam complicadas para o treinador, mas quando dois ou três seguem o mesmo
caminho, fica inviável.
Acredito que o Argel sobreviva até as semifinais do
Gauchão, caso o Internacional passe pelo Fluminense hoje, mas se isto não
acontecer sua saída pode ser abreviada. Aí alguns dirão, mas não adianta mudar
o treinador sem qualificar o grupo etc. e tal. O problema é que o Internacional
não tem grana para grandes contratações e parece até que o Téo Gutiérrez não
vem mais diante da exigência do Sporting de só aceitar negociá-lo por R$ 16
milhões. Diante disto a direção colorada estaria disposta a investir no plano B
e este seria Brener do Juventude.
Desta forma a "fotografia" dos jogadores
que o Inter terá para o Brasileirão 2016 não mudará muito em comparação ao que
já estão posto. Partindo deste princípio, como não se pode mudar a maioria dos
jogadores, muda-se o técnico. Isto é o que entendidos chamam de fator anímico.
Dá uma chacoalhada no vestiário, cria um fato novo e mexe com o ânimo dos
jogadores. E com o Argel "pela bola sete" alguns setores da imprensa
já começam a especular o nome do Marcelo Oliveira para seu sucessor. O problema
é que desde 2014 os últimos trabalhos de Marcelo culminaram com a sua demissão
e futebol é momento, como eu não canso de repetir.
(*) Raul Grochau – Jornalista, Editor do blog Pitacos Esportivos