terça-feira, 22 de março de 2016

Futebol Nobre

Marcelo Oliveira no Inter

José Evaristo Villalobos/Nobrinho (*)

Concordo com o Giba Jasper: está muito duro assistir aos jogos do Inter e, também como ele, seguidamente pego no sono, quando isso acontece. E a razão principal disso passa pelo despreparo de seus dirigentes e sua incrível incapacidade de planejar bem o futebol do clube. No ano passado, o Inter investiu em Diego Aguirre e “morreu” com ele na Libertadores devido a suas injustificáveis trocas de jogadores e de um rodízio absurdo  que não dava ritmo ao time, conjunto e, certamente, tirava a tranquilidade de todos aqueles que entravam em campo.

Aguirre preservou tanto alguns dos considerados principais jogadores que o time acabou eliminado pelo Tigres, do México, bem descansadinho...Sem falar do Campeonato Brasileiro quando o time vermelho, descaracterizado, perdeu jogos incríveis para Avaí, Sport, Atlético Paranaense e Sport – pontos que faltaram na disputa pelo título e que impediram o time de, ao menos, chegar à Libertadores. Em defesa de Aguirre cito os “reforços” que recebeu como Rever, Nilton, Lisandro Lopez, todos jogadores com mais de 30 anos e já sem ambições na carreira. Aí, veio Argel, após o Inter levar 5 a 0 do Grêmio, e a vida seguiu...

Com Argel o Inter mudou sua fotografia. Trocou alguns medalhões pela gurizada,  mas manteve o mesmo futebol inconfiável da era Aguirre. Como Muricy ensinou a bola puniu e o Inter não chegou a lugar algum no Brasileiro, sofrendo o castigo de ficar sem Libertadores na última rodada. Aí, mudou o ano.  Ano novo, vida nova. Mas nem mesmo no fraco Gauchão de 2016, o time tem conseguido resultados capazes de dar esperanças à sua fanática torcida, chegando a comemorar um empate sem gols, acreditem, no último Gre-Nal e uma vitória sobre o Juventude. Muito pouco. Por isso, acho que chegou o fim da “era” Argel no Beira-Rio.

Não que ele seja culpado por tudo, mas chegou a hora de alguém mais experiente ficar no banco e tentar passar algo tático para os jogadores melhorando seus desempenhos. Algo que Tite faz com maestria. Sem Tite, Muricy e Abel acho que os dirigentes deveriam investir, antes que outros o façam, em Marcelo Oliveira. Técnico que venceu os dois últimos campeonatos brasileiros com o Cruzeiro e uma Copa do Brasil com o Palmeiras.

Pode ser uma solução mágica, sei, mas é uma esperança. Com dois ou três reforços, e a dispensa de alguns como Anderson, que nunca justificou sua contratação, o objetivo seria repetir 1979, quando foi muito mal no Gauchão e deu a volta por cima no Brasileiro, vencendo-o de forma invicta. Faz tempo, muito tempo, sei, mas não custa acreditar. E defendo esta mudança mesmo em caso de conquista do Inter no Gauchão, o que acontece há cinco anos, e  é incapaz de levar o time a bons desempenhos no Campeonato Brasileiro. Na verdade só vencer o Gauchão tem sido muito pouco para a grandeza do Inter.

(*) José Evaristo Villalobos/Nobrinho – Jornalista ,  ex-assessor de imprensa do Sport Club Internacional