quinta-feira, 24 de março de 2016

Começo de jogo

Argel “prestigiado"... até quando? E os demais?

Júlio Sortica (*)

Graças a uma boa (e de certa forma longa) vivência em futebol, aprendi no convívio diário com jogadores, treinadores, dirigentes, torcedores e imprensa, que a avaliação do trabalho de uma equipe de futebol passa pelo crivo de dois sentimentos: emoção e razão. Geralmente o emocional se manifesta primeiro, de forma positiva nas conquistas e, obviamente, negativa nos fracassos. A razão vem depois, mediante uma análise mais detalhada, estuda, com a frieza necessária para não “passar panos quentes” em questões críticas, mas também não supervalorizar pequenos detalhes.  No caso do Inter e do técnico Argel, uma expressão usada pelos dirigentes define a situação: “prestigiado”.

Ora, quem trata de futebol, seja em qual instância for, sabe que a expressão “prestigiado” não corresponde ao significado real da palavra – em bom português -, pois foi comprovado por centenas de casos, que o “prestigiado”, não desfruta do prestígio que a palavra carrega.  Ocorreu uma distorção linguística e o “prestigiado”, na verdade, está no chamado “paredão”, ou seja, ameaçado de eliminação.  O “prestigiado”, ganha na verdade um apoio formal, mas temporário da diretoria, mas sabe que se não apresentar resultados positivos imediatamente, o prestígio termina.

Argel está “prestigiado”, diz a diretoria colorada. Mas até quando? O clube admite que existem carências na equipe, mas não estabeleceu um prazo para que Argel dê a volta por cima, implante um sistema de jogo eficiente, que os resultados melhorem e a crise seja superada. Eliminado da Primeira Liga e quinto colocado na fase classificatória do Gauchão,  o Inter tem todas as chances de permanecer no Z-8 e até melhorar sua posição. Afinal, será que o time é tão ruim que não conseguirá vencer o Novo Hamburgo, que está na linha da “degola”? E ainda mais no Beira-Rio? Bem, desculpem, mas o Inter está na obrigação de vencer. Ou então, quem acha que Argel não tem mais direito a permanecer no cargo, está coberto de razão.

Apesar de assumir a responsabilidade pelo mau momento do time, nunca fui daqueles que vê falhas ou culpa ( se for a expressão correta) só do treinador. Existe um clube, onde um grupo de comandantes tem a responsabilidade de fazer um planejamento e executá-lo; existe um grupo de jogadores e, no caso do Inter, muito bem tratado e remunerado e que deveria fazer, no mínimo, um bom serviço. Se não o faz e, por exemplo, os jogadores erram pênaltis, também são responsáveis e precisam de um “puxão de orelhas”. Se treinam e se preparam durante toda a semana para uma atividade, é obrigação que a desempenhem de forma positiva.

Então, se o “prestigiado” Argel não passar pelo NH, tenho certeza que cai depois do jogo. Mas e o resto da equipe, como será tratada?

(*) Júlio Sortica – Jornalista – vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos /ACEG-RS