Inter pode estar trocando a Globo pelo Esporte Interativo para 2019
Raul Grochau (*)
O presidente do Santos, Modesto Roma informou que o clube santista assinou contrato com o Esporte Interativo para a transmissão dos seus jogos no Brasileirão a partir de 2019. Atlético-PR, Coritiba, Bahia e Sport também já assinaram com a emissora do Grupo Turner. Além disto é muito forte a boataria na imprensa esportiva no sentido de que Internacional teria também fechado contrato com o EI e o Conselho Deliberativo Colorado seria comunicado na próxima segunda-feira sobre este acerto.
O Esporte Interativo propõe uma partilha semelhante a que é realizada na Premiere League onde o valor total é dividido 50% de forma igual, 25% de acordo com o desempenho técnico e os outros 25% a partir da audiência. O total a ser dividido seria algo em torno de R$ 600 milhões de reais. A intenção do IE é fechar contrato com nove clubes que irão dividir esta quantia.
Considero um negócio extremamente importante do ponto de vista financeiro. Chega dos clubes estarem refém da Rede Globo e sempre com o "chapéu na mão" pedindo adiantamento de receita porque aquilo que recebem da emissora global não é suficiente. O Grupo Turner. dono do Esporte Interativo, tem dinheiro para jogar no ralo.
A proposta do IE para os clubes representa nada mais, nada menos do que dez vezes mais do que a Globo paga. Como se não bastasse a emissora do plim-plim, por ter o monopólio das transmissões, decidiu diminuir o valor dos contratos para esta temporada dando uma compensação através de um adiantamento a vista. Claro que Corinthians e Flamengo continuaram sendo privilegiados.
Entendo que está na hora dos clubes brasileiros valorizarem o produto que possuem. Se o Brasileirão é tido e havido como o campeonato nacional mais difícil do mundo por que não receber uma valorização financeira que represente esta importância? Se a televisão paga mais os clubes podem contratar grandes jogadores, se contratam grandes jogadores os estádios ficam lotados, se os estádios ficam lotados os anunciantes investem mais. Resumindo, todos ganham. Ao contrário do que está acontecendo atualmente onde os clubes sem dinheiro para contratar estão apostando em jogadores de categoria discutível do mercado sul americano. Por tudo isso, saúdo esta saudável concorrência que pode quebrar o monopólio das transmissões esportivas no Brasil que será positiva para todos.
(*) Raul Grochau – Jornalista, Editor do blog Pitacos Esportivos