sábado, 12 de março de 2016

Virando o jogo

Briga de foice na Segundona

Edgar Vaz (*)

A Divisão de Acesso do futebol gaúcho começa neste final de semana, com a marca de uma verdadeira guerra a cada confronto. Apenas um clube subirá para a elite gaucha. Até aí, nada de novo, tem sido assim nos últimos anos.

O curioso é a composição da Divisão de Acesso, que ganhou um participante ilustre, o Caxias. O time grená que se inseriu na história do futebol gaucho, com a conquista do título em 2000, além de no passado, ter disputado a elite brasileira, foi caindo... caindo... e chegou ao fundo do poço.

O futebol é assim. Vai da alegria à tristeza em segundos, e do sucesso à decepção em uma competição. O Caxias é só um exemplo. Mas outros clubes tradicionais  do futebol dos pampas estão mergulhados na Divisão de Acesso.

O Esportivo, Pelotas, São Luiz, Santa Cruz, Inter SM, Santo Angelo, já estiveram na elite gaúcha e com trajetórias marcantes, senão com títulos, mas com boas campanhas, que valorizaram o nosso Gauchão.

Agora, junto com outros 10 clubes, brigam por uma única e valorizada vaga. Uma verdadeira “briga de foice”.

E qual seria a melhor maneira de analisar a dura realidade vivida pelos clubes, nessa divisão? É triste né? E porque é assim?

Ora, o que teria levado a Federação Gaucha de Futebol a reduzir o número de clubes na elite? Resposta simples: A dupla Gre-Nal não tem mais interesse na competição regional. Jogar no interior, onde as viagens, às vezes são longas e cansativas, onde os estádios não são arenas, e não dá pra viajar de avião são fatores que transformam o campeonato regional em uma competição descartável, não fosse a grana que os clubes faturam pelos direitos de imagem. Desde que competições como Libertadores e Sulamericana passaram a ser muito mais atraentes, o nosso “charmoso gauchão” serve apenas para preencher a grade televisiva. Não há o que discutir sobre o raciocínio lógico de quem investe milhões em jogadores, estrutura para viver de títulos de maior repercussão, o Gauchão virou fichinha!

Porém, seria essa “peneira”, a melhor solução? O futebol do interior está morrendo a cada ano. As diferenças que existem há décadas, só aumentam, ao ponto de se ter o valor de um mês de salário de um jogador da dupla Gre-Nal, sendo o equivalente ao investimento total de diversos clubes na disputa da elite do campeonato gaucho.  Impressiona né?

Uma pergunta que se impõe. Se os grandes da capital não conquistam vaga na libertadores, Sulamericana, ou um título brasileiro, o que sobra? Só o Gauchão!

Em pouco tempo nem isso terá valor. Até onde os clubes do interior irão resistir? Talvez a solução fosse realizar o Gauchão, sem a dupla Gre-Nal. Ou seria uma utopia?

(*) Edgar Vaz – Repórter da Rádio Caxias, presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS