O Grêmio perdeu (quase) tudo
Roberto d’Azevedo (*)
O que sobrou para o Grêmio após a semana de três jogos decisivos na Arena? Muito pouco, quase nada. Esperança? Sim, o mundo encantado do futebol vive de sonhos e teses otimistas, mas a falta de autocrítica só adia a cruel realidade e, em geral, obstrui de forma letal as possibilidades de uma reabilitação milagrosa.
Roger não decifrou o enigma Luan. Com Bolaños, esteve perto, mas depois “voltou ao ponto de partida” e, no final do jogo contra o San Lorenzo, com aquele vazio no meio-campo, passou um atestado de que ainda não está pronto para dirigir um time de ponta. Ainda está em um estágio abaixo do que o Grêmio precisa para voltar a conquistas títulos como no final do século passado.
A semana começou bem, com um jogo circunstancialmente favorável, mas a direção jogou o foco necessário no lixo e foi brigar com a Federação e a arbitragem do Gre-Nal. Um desastre de estratégia, que só serviu para acirrar ânimos, tudo o que o Grêmio não precisava entre os dois jogos da Libertadores. A lesão de Bolaños só mostrou que a sorte abandona os atrapalhados. As chances claras de gol desperdiçadas no Gre-Nal (Bolaños, Geromel, Giuliano, Luan) mostravam um grupo desequilibrado emocionalmente.
No Gre-Nal, além da classificação às finais da Primeira Liga, o Grêmio perdeu também, em definitivo, o discernimento do que era importante para o clube. Em vez de voltar imediatamente à Libertadores, seguiu dando mais importância para William e Bolaños na segunda e na terça do que para o San Lorenzo. O resultado foi aquele que se viu no campo na quarta-feira.
Agora resta só a esperança. O sonho improvável de fazer em Buenos Aires terça-feira o que não conseguiu fazer na Arena. A tese de que se ao menos não perder essa próxima partida, poderá conseguir o milagre de ganhar na altitude de Quito. E a falsa certeza de que fará contra o Toluca depois, na Arena, os gols que não consegue sequer ameaçar com Luan jogando na frente, Maicon e Edinho atrasando a saída de bola e os dois centroavantes no banco de reservas (ou juntos em campo em alguns momentos).
Tudo isso enquanto o Inter disputa mais um título nacional, nas finais da Primeira Liga, e consolida a ideia de que será hexa regional, porque Argel já mostrou que é um treinador mais bem preparado do que Roger e a direção do clube está dando provas de que sabe o que quer e precisa fazer em busca de seus objetivos.
(*) Roberto d’Azevedo - Jornalista