sexta-feira, 25 de março de 2016

Artigo

Gato por lebre

Gilberto Jasper (*)

Leio que o zagueiro Kadu, do Grêmio, será emprestado para a Ponte Preta. O episódio é uma triste reprise de tantos negócios vexatórios protagonizados pela dupla grenal.

A vinda de obscuros jogadores constitui uma praxe de décadas dos dois maiores clubes do Rio Grande do Sul.  A repetição destes equívocos - além de irritante - é exemplo de impunidade que assola o futebol e que explica o desinteresse crescente entre os amantes do soccer em nosso país e que migram para outros esportes emergentes.

Além da desorganização, da corrupção e da carência de profissionalismo em vários escalões do futebol, as aventuras de dirigentes despreparados agravam as dificuldades financeiras, um mal crônico de tanto tempo. O erro é inerente a qualquer atividade humana, mas sua reiteração comprova a ausência de planejamento, organização, seriedade.

Os erros de avaliação na aquisição de jogadores deveriam diminuir na medida em que a escassez do dinheiro aumenta.  Além disso, a comunicação onipresente é fundamental para evitar comprar gato por lebre. Há inúmeros olheiros espalhados pelo país e pela América do Sul, o que deveria servir de alerta.

Certa feita, indagado sobre as imagens de lances de atacante que interessava ao Grêmio, o então treinador Evaristo de Macedo – craque dentro e fora do campo – perguntou:
- Meu filho... você já viu algum vídeo que mostra os gols que um jogador perdeu ou com as jogadas bizarras que ele protagonizou?

Este causo resume a (falta de) atenção na aquisição de qualquer jogador. A pressão - da imprensa e dos torcedores-, a necessidade de novidades, a carência de nomes que empolguem. Tudo isso leva os dirigentes a cederam ao apelo fácil de “trazer qualquer um”, na base do “custe o custar”.

E a prática demonstra que este comportamento custa sonhos frustrados, devaneios, desmotivação nos estádios e enorme prejuízos financeiros.

(*) Gilberto Jasper -  Jornalista  - Editor do blog www.gilbertojasper.blogspot.com.br