Inter, o previsível
Gilberto Jasper (*)
Colorado há 55 anos, não tenho tesão para assistir os jogos do Inter. Domingo fiz mais uma tentativa. Mas aos 20 minutos ronquei no sofá. Há pelo menos três anos não vou ao Beira-Rio. Cansei de estacionar no barro ou na poeira e, agora, depois da Copa do Mundo, ser obrigado a pagar 45 reais para ocupar um edifício-garagem. Ou 25 reais para assistir às peladas do "charmoso" (tenha paciência...) Gauchão.]
Não culpo Argel pela caricatura de time que desafia a paciência dos torcedores. "Não se pode esperar das pessoas o que elas não têm para dar", repetia o velho Giba, meu pai, com razão. O treinador veio de Santa Catarina num momento propício para demonstrar seu potencial baseado na garra, determinação, berros à beira do campo e até um certo excesso de força.
Não se vê jogadas ensaiadas nos escanteios, nas faltas perto da área, na saída de bola, no arremesso lateral perto do gol adversário e, talvez, até na cobrança de um pênalti. O toque-toque improdutivo culmina em inocentes chuveirinhos. O Gre-Nal e a partida contra o Juventude foram espasmos de um time recheado de guris sob a nefasta influência de veteranos em decadência. Alex (uma pena!), Rever (nunca confirmou) e Anderson (dinheiro jogado fora) são insistências que estão minando a calma dos colorados.
D'Alessandro foi embora, levando a polêmica e a genialidade dos craques indóceis que se rebelam contra a mediocridade. Será difícil encontrar um substituto, especialmente pela enorme carga que pousará sobre os ombros de quem virá. Ali adiante, o Brasileirão começará e nós, colorados, vamos nos gabar de ter "um dos melhores elenco", indicado como potenciais candidatos ao título.
Se Argel sobreviver ao Gauchão, lá pela terceira ou quarta rodada do Brasileiro teremos um novo treinador para recomeçar do zero. Em outubro/ novembro estaremos "na segunda página" da classificação, recheados de jogadores desconhecidos, "fenômenos" jamais confirmados. Restará ficar ligado na Libertadores, torcer para o time da hora que jogará contra o ecônomo da Arena da OAS.
(*) Gilberto Jasper - Jornalista - http://gilbertojasper.blogspot.com.br/