Seleção Brasileira... Deus nos acuda!
Júlio Sortica (*)
Às vezes fico pensando se nós, cronistas esportivos que assistimos jogos, muitos jogos de futebol, acabamos aprendendo alguma coisa, mas não somos treinadores, nem jogadores. No entanto, teoricamente, sabemos o que está sendo feito de certo ou errado em um jogo de futebol. Se nós, que não somos especialistas no “trabalho” futebolístico sabemos, será que o treinador e os jogadores, que são profissionais e muito bem remunerados – principalmente os top, os de seleção – não conseguem perceber isso, admitir, corrigir e mudar? O que se viu no jogo Brasil 2x2 Uruguai na noite desta sexta-feira, é inadmissível para um selecionado com o histórico do Brasil. E olha que o Uruguai estava desfalcado de quatro titulares.
Deus nos acuda!!! Se não mudar, ou senão mudarem essa seleção, NÃO VAI TER COPA!
Apesar de tudo, o Brasil ainda divide o terceiro lugar com Argentina e Paraguai, todos com oito pontos, mas o saldo brasileiro é melhor. O problema é o futuro... a irregularidade pode ser fatal no dia 29, no Paraguai.
Como ressaltei, temos algum conhecimento, o básico ao menos, para poder avaliar se um desempenho foi bom o ruim e o que deveria ser feito para melhorar. Até achei que fôssemos injustos em criticar tão duramente comissão técnica e jogadores. Mas não somos injustos e temos obrigação de ser críticos. Parece que a vergonhosa experiência dos 7 a 1 imposta pela Alemanha não deixou um legado moral. A maioria dos destrambelhados e fracassados jogadores daquela partida ainda estão ai na atual seleção. O técnico Dunga, que merece todo respeito por seu histórico como capitão campeão em 1994, parece anestesiado, assim como outro gaúcho campeão em 2002, o Felipão naquela tarde fatídica de 2014. Parecem ter perdido o sangue quente, o olho vermelho de raiva ao ver um time render tão pouco.
Este pode ser um desabafo inútil, mas na partida contra o Uruguai, poucos se salvaram além do goleiro Alisson, que até poderia ter defendido o chute de Suarez, mas fez três boas e difíceis defesas, salvando a pele da atrapalhada dupla de zagueiros Miranda e David Luiz. Pelas laterais outras deficiências e o meio de campo, creio que os volantes Fernandinho e Luiz Gustavo não teriam chance na dupla Gre-Nal – que não anda tão bem assim. Renato Augusto e William até começaram bem o jogo, mas depois caíram na mesmice, o mesmo ocorrendo com Douglas Costa... e Neymar, putz, que decepção! Enquanto Suarez deitava e rolava no ataque Uruguaio, Neymar passeava em campo... e recebeu o terceiro cartão amarelo e assim como David Luiz, não enfrentam o Paraguai na próxima terça-feira. Talvez seja melhor para o Brasil.
Não está sendo fácil ser otimista, dar um tempo para avaliar melhor, ter paciência. Não há tempo para isso. As dificuldades de datas são para todas as seleções e não apenas para o Brasil. Talvez Dunga não tenha percebido que falta um líder em campo e que Neymar não pode ser o capitão apenas por ser o melhor jogador do time. Capitão tem que ter postura de capitão, nervos de capitão, indignação, impor respeito, repreender. E acho curioso porque Dunga, quando foi capitão em 1994, cansou de dar carraspana em Bebeto, Zinho, quando estes estavam apáticos.
Confesso que estou apreensivo e até amedrontado com o desempenho da Seleção Brasileira. Mais do que isso... decepcionado. Acho que o torcedor não merece esse futebol senão é medíocre, é pobre demais para um país que foi sinônimo de talento. Ainda dá tempo de chamar o Tite, outra cabeça, outro conceito, sem compromisso de convocar medalhões do exterior que não rendem o desejado. Ainda dá tempo de corrigir o rumo da nau antes de nova tragédia!
(*) Júlio Sortica – Jornalista – Vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS