sexta-feira, 25 de março de 2016

Artigo

Hora de mudanças

Gilson Piber (*)

A Seleção Brasileira corre riscos de não ir ao Mundial da Rússia em 2018. O time não empolga o torcedor, afinal, não tem regularidade, algumas peças deixam a desejar e o técnico Dunga parece não conseguir tirar algo mais dos seus convocados. O elenco, na sua maioria, é formado por atletas bem-sucedidos no mundo do futebol e com a aposentadoria garantida quando parar de jogar. Mas a seleção precisa mudar, e urgentemente, nas convocações e na comissão técnica.  Isso sem falar no comando da CBF, entidade corroída pela corrupção, assim como o país, e sem força inclusive na esfera sul-americana. O empate com o Uruguai foi um ponto somado, já que a derrota bateu à porta no segundo tempo da partida.

Graças ao goleiro Alisson, o Brasil não perdeu para os aguerridos uruguaios, comandados em campo por Luís Suárez.  O atacante do Barcelona infernizou a atrapalhada defesa brasileira em mais uma noite desastrosa de David Luiz. O zagueiro que atua no PSG tirou até o colega de zaga Miranda do prumo. Depois de um início promissor, com vantagem de 2 a 0 no placar, a seleção de Dunga naufragou na etapa final.

Além da falta um de um futebol convincente ao selecionado brasileiro, garra e pegada são outros ingredientes ausentes. É inadmissível jogadores que atuam na Europa não encararem os adversários sul-americanos com a mesma qualidade e o mesmo ímpeto quando atuam por seus clubes. Mas falta entrosamento, dirão alguns. Para outros, o time treina pouco. Pura balela. Suárez jogou da mesma forma que atua no Barcelona, assim como Cavani e outros menos cotados pelo lado uruguaio. No entanto, com os nossos craques, tudo é diferente.

Sou de um tempo em que servir à Seleção Brasileira era o ápice da carreira de qualquer jogador. Atualmente, para alguns, virou um mero compromisso protocolar. Vem, treina, joga, ganha-perde-empata e vai embora.  Desde a saída de Felipão, a ampla maioria da população brasileira sabia que Tite era o melhor técnico para dirigir a seleção, menos a CBF e “outros entendidos”.

O futebol apresentado pelo Brasil nas Eliminatórias Sul-americanas é decepcionante. A seleção tem oito pontos ganhos em 15 disputados nos cinco jogos – 53,3% de aproveitamento -, com duas vitórias (Venezuela e Peru), dois empates (Argentina e Uruguai) e uma derrota (Chile). Se perder ou empatar com o Paraguai, na próxima rodada, tende a sair da zona de classificação. Certamente, a pressão vai aumentar. E não sou um sujeito pessimista.


(*) Gilson Piber - Jornalista da UFSM, comentarista da Rádio Guarathan, de Santa Maria (RS), e professor do curso de Jornalismo da Unifra.