Hora de
mudanças
Gilson Piber
(*)
A
Seleção Brasileira corre riscos de não ir ao Mundial da Rússia em 2018. O time
não empolga o torcedor, afinal, não tem regularidade, algumas peças deixam a
desejar e o técnico Dunga parece não conseguir tirar algo mais dos seus
convocados. O elenco, na sua maioria, é formado por atletas bem-sucedidos no
mundo do futebol e com a aposentadoria garantida quando parar de jogar. Mas a
seleção precisa mudar, e urgentemente, nas convocações e na comissão
técnica. Isso sem falar no comando da
CBF, entidade corroída pela corrupção, assim como o país, e sem força inclusive
na esfera sul-americana. O empate com o Uruguai foi um ponto somado, já que a
derrota bateu à porta no segundo tempo da partida.
Graças
ao goleiro Alisson, o Brasil não perdeu para os aguerridos uruguaios,
comandados em campo por Luís Suárez. O
atacante do Barcelona infernizou a atrapalhada defesa brasileira em mais uma
noite desastrosa de David Luiz. O zagueiro que atua no PSG tirou até o colega
de zaga Miranda do prumo. Depois de um início promissor, com vantagem de 2 a 0
no placar, a seleção de Dunga naufragou na etapa final.
Além
da falta um de um futebol convincente ao selecionado brasileiro, garra e pegada são
outros ingredientes ausentes. É inadmissível jogadores que atuam na Europa não
encararem os adversários sul-americanos com a mesma qualidade e o mesmo ímpeto
quando atuam por seus clubes. Mas falta entrosamento, dirão alguns. Para
outros, o time treina pouco. Pura balela. Suárez jogou da mesma forma que atua
no Barcelona, assim como Cavani e outros menos cotados pelo lado uruguaio. No
entanto, com os nossos craques, tudo é diferente.
Sou
de um tempo em que servir à Seleção Brasileira era o ápice da carreira de
qualquer jogador. Atualmente, para alguns, virou um mero compromisso
protocolar. Vem, treina, joga, ganha-perde-empata e vai embora. Desde a saída de Felipão, a ampla maioria da
população brasileira sabia que Tite era o melhor técnico para dirigir a
seleção, menos a CBF e “outros entendidos”.
O
futebol apresentado pelo Brasil nas Eliminatórias Sul-americanas é
decepcionante. A seleção tem oito pontos ganhos em 15 disputados nos cinco
jogos – 53,3% de aproveitamento -, com duas vitórias (Venezuela e Peru), dois
empates (Argentina e Uruguai) e uma derrota (Chile). Se perder ou empatar com o
Paraguai, na próxima rodada, tende a sair da zona de classificação. Certamente,
a pressão vai aumentar. E não sou um sujeito pessimista.
(*) Gilson
Piber - Jornalista da UFSM, comentarista da Rádio Guarathan, de Santa Maria
(RS), e professor do curso de Jornalismo da Unifra.