terça-feira, 22 de março de 2016

Artigo

A desprezada Primeira Liga pode ser o consolo do Inter no ano

Nico Noronha (*)


Uma vitória sobre o Fluminense, nesta noite de quarta-feira, em Brasília, poderá colocar o Sport Club Internacional – o auto-denominado “campeão de tudo” – em sua primeira final do ano. Nesse caso, contra Flamengo ou Atlético-PR. E qual torcedor colorado não gostaria de incluir mais essa taça inédita no armário?


Até porque essa taça, a da virginal Primeira Liga, poderá e deverá ser a grande e, talvez, única possibilidade de o Inter brigar por um título neste 2016, visto que no Campeonato Estadual não consegue sequer ingressar no G-4. Até agora, em dez rodadas do Gauchão, o time de Argélico Fucks só venceu quatro vezes, tem cinco empates e ainda uma derrota. Muito pouco para um clube tão poderoso, atual pentacampeão do Rio Grande do Sul.


O retrospecto recente do Colorado no campeonato é quase inacreditável. Dos últimos quatro jogos, só venceu um. Essa série começou com uma derrota no Beira-Rio, de virada, para o Veranópolis, e ainda contou com dois empates, um com o São Paulo de Rio Grande – mais uma vez em casa – e o outro no domingo passado, 0 a 0 com o Lajeadense, em Lajeado. Esse último desempenho foi apontado, inclusive por dirigentes do próprio Inter, como “a pior atuação do time na temporada”.


Quer dizer... Um time desses, sem padrão de jogo definido, que tenta resolver seus problemas dentro de campo na base de investidas individuais e tem no tosco zagueiro Paulão o principal distribuidor de bolas, terá de se dar por muito satisfeito se conseguir vencer essa tão depreciada Primeira Liga. Campeonato Brasileiro? Nem pensar.


E, para que não fique toda a conta nas mãos do técnico, que não consegue montar uma estratégia aceitável de jogo, é justo lembrar que essa atual diretoria do Inter não o está ajudando em nada. O universo colorado está cansado de saber que o time precisa urgentemente de um bom zagueiro, de um meia que possa substituir D’Alessandro razoavelmente a contento, e por fim de um atacante goleador. Mas os dirigentes não estão nem aí. Depois, quando cair a casa, a culpa será de quem?

(*) Nico Noronha - Jornalista - co-autor do livro "A História dos Gre-Nais"