sábado, 13 de fevereiro de 2016

Virando o jogo

O desgastado futebol brasileiro

Edgar Vaz (*)

O futebol ainda é a maior paixão nacional, não há dúvida. Mesmo com o crescimento de outros esportes, a imprensa que através do rádio construiu a relação amorosa dos brasileiros com o futebol, ainda mantém espaços em sua programação dedicados ao futebol. Agregue-se ainda, a televisão, jornal e mais recentemente a evolução das mídias. Às vezes essa relação passa por crises. Normal num relacionamento. O mundo evoluiu, outros países cresceram, e até superaram o Brasil, com aperfeiçoamento técnico, e já não são mais os  “cadeiras duras” de outrora.

O Brasil já não revela verdadeiros craques, como outrora. Hoje existem poucos grandes jogadores e muitos arremedos. A realidade mostra que a necessidade e o interesse financeiro dos clubes, fala mais alto. Vamos exercitar o seguinte raciocínio, qual seria a valorização financeira que teriam jogadores como Pelé, Garrincha, Zico, Sócrates e tantos outros que construíram carreiras marcantes, inserindo-se na história do futebol mundial, pela qualidade, sem ter o devido retorno financeiro. Pelo menos não, nos patamares de hoje. Um jogador razoavelmente técnico já passa a ser craque. Que saudade dos “velhos tempos”. Futebol com técnica, lances geniais, qualidade vista quando os caras batiam na bola. Ah que time o mestre Telê montou. Eram onze craques que iniciavam os jogos e outros dez que ficavam esperando uma chance. Hoje quantos craques atuam na seleção canarinho? Um só, Neymar Jr. Os demais são esforçados e apenas razoáveis jogadores com muito empenho e pouca técnica.

O que ocorreu nas últimas décadas é resultado de uma simbiose entre o ruim e razoável. Mas a paixão continua. Será que existe uma fórmula mágica para reencontrar o caminho do sucesso que fez do futebol, o primeiro esporte no país dos trópicos.

É inegável que o futebol brasileiro está desgastado. Clubes falidos, dirigentes despreparados, empresários espertos, e jogadores que ganham muito e jogam pouco.

O que será do futuro? Não sei!

Pérolas do mundo da bola

No Inter SM, um jogador ganhou destaque na década de 1980.  Dirnei Celestino, o “Nei”. Centroavante, nove de ofício, que mesclava força com técnica apurada. Era artilheiro. Surgiu no Criciúma, e depois de passar pelo “coloradinho”, atuou em clubes como Barcelona de Guaiaquil (Equador), e no Grêmio.

Não tinha intimidade com as palavras como tinha com a bola.  Um dia antes de iniciar o treinamento, o atacante se fardava no vestiário da Baixada Melancólica quando surge o zagueiro Donga, jogador que marcou época do time santamariese. Um brincalhão, sempre bem humorado, e para provocar Nei, largou essa:

- “Bah, não sei o que me fez mal no almoço. Estou com uma diarréia daquelas!
Nei que não perdia tempo quando o assunto era tirar um sarro dos companheiros, emendou: “É sim Donga!  Pensa que  não sei que “dizarréia” é a mesma coisa que canganeira!”. O vestiário caiu em risos.

Lembranças de um tempo que não volta mais. Em tempo: naquela época o Inter SM tinha um time de jogadores altamente qualificados, que se atuassem hoje, estariam ricos e jogando em clubes brasileiros, quem sabe no exterior!

(*) Edgar Vaz - Repórter da Rádio Caxias e presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG