O valor agregado da Libertadores da América
Raul Grochau (*)
Gente amiga, tenho lido e ouvido por aí críticas com relação a Libertadores da América no sentido de que a premiação não vale a pena, que é melhor disputar a Copa do Brasil ou o Paulistão que possuem premiação maior, que é um torneio onde o que conta é apenas o glamour, etc. e tal. Discordo destas vozes democraticamente e frontalmente, se me permitem. A Libertadores da América é tão importante para os clubes brasileiros que atualmente no Brasil a única competição que não dá uma vaga para este torneio são os campeonatos regionais. Até a recém criada Primeira Liga deverá premiar o campeão com uma vaga na Libertadores da América em 2017, de acordo com promessas da CBF.
Recentemente o Internacional, o Atlético MG, o Fluminense e o Corinthians foram aos EUA disputar três partidas pelo Flórida Cup apenas pela internacionalização da marca, até porque as cotas eram bem baixas. Grande parte da imprensa e os representantes destes clubes consideraram isto como sendo um grande negócio, tanto que prometeram voltar no próximo ano. Mas alguém acredita que disputar uma competição num país onde o futebol é o quinto esporte contra times médios da Europa e do Leste Europeu dá mais visibilidade do que uma Libertadores da América transmitida para 180 países que amam o futebol?
Vou mais além, alguém pode mensurar o que representa em termos de visualização da marca, premiação, aumento no número de sócios torcedores, ampliação do mercado para futura venda de jogadores disputar uma partida no final do ano lá em Tóquio contra o Barcelona, por exemplo? Como diz aquela propaganda de cartão de crédito, isto não tem preço. É o que eu chamo de valor agregado que a Libertadores da América representa. A dupla Grenal sabe bem disto. O Internacional em 2005 tinha 5 mil sócios pagantes, atualmente possui 112 mil. Certamente isto não aconteceu pelas conquistas do Gauchão, mas sim pelas duas Libertadores da América em 2006 e 2010. Já o Grêmio recentemente após conquistar uma vaga para a Libertadores implantou um programa de sócios que em menos de duas semanas arrecadou mais de mil associados. Por isto digo, gente, para os clubes brasileiros não existe vida fora da Libertadores.
Ramon Ábila não é o centroavante que o Inter precisa
De acordo com boatos da imprensa o Internacional estaria interessado no centroavante argentino Ramon Ábila do Huracan da Argentina. Mais do que isto, o Colorado estaria disposto a pagar R$ 20 milhões pelo jogador que foi goleador da Copa Sul-Americana com cinco gols.
Gente amiga, circula um vídeo no youtube de seis minutos com os melhores momentos da carreira do Ábila. Vocês irão notar que neste vídeo aparecem mais gols perdidos pelo atacante argentino do que marcados e como se não bastasse alguns dos quais ele marcou foram anulados porque estava impedido.
Resumindo, Ramon Ábila é um Braian Rodrigues piorado, um Rafael Moura piorado, um Luque piorado. Com certeza não vale R$ 20 milhões e sugiro que a direção do Inter assista ao vídeo que assisti para ver como tenho razão. Se por ventura alguém assistir a este vídeo e discordar de mim pode vir aqui e dizer claramente. Mas até que isto aconteça considero um equívoco a contratação deste jogador por valores tão altos. Ele não é melhor do que as opções que o Internacional dispõe na base.
(*) Raul Grochau – Jornalista