Um chute no traseiro com quatro anos de atraso
André Malinoski (*)
O Comitê de Ética da Fifa suspendeu por 12 anos o ex-secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, que havia sido demitido de seu cargo no mês passado. A notícia da punição veio a público nesta sexta-feira (12/02). O francês, como muita gente lembra, provocou mal-estar entre os brasileiros ao dizer que o Brasil precisava de um “chute no traseiro” por causa dos atrasos nas obras da Copa do Mundo de 2014. A frase saiu dos lábios do ex-dirigente no começo de 2012.
Valcke é jornalista. O que se espera sempre de um profissional de imprensa – em atividade ou até depois de ter trabalhado na área – é, no mínimo, uma atuação ética. Essa questão sempre norteou ou esteve em debate no Jornalismo, e acredito que é tema frequente em muitas outras profissões. O cartola, antes de desejar um “chute no traseiro” no país que sediou o último Mundial, mandou às favas qualquer implicação ética ao estar em uma posição privilegiada na Fifa.
O principal ato irregular de Valcke foi receber percentuais por venda de ingressos das Copas de 2010 e 2014. Só isso bastaria para dar um fim na carreira do dirigente. A Câmara de Investigação da Fifa descobriu, porém, outras ações ilícitas, como a venda de direitos de transmissão, bem como destruição de provas. Até turismo pessoal o francês promoveu com o dinheiro da Fifa, além de marcar voos privados sem ter compromissos estabelecidos pela entidade.
O ex-secretário-geral violou 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 artigos do Comitê de Ética da Fifa. Olha que o escore é igual ao aplicado pela Alemanha na Seleção Brasileira nas semifinais da Copa. A diferença é que o time nacional ainda marcou um golzinho de honra. Valcke, que além dos 12 anos longe do futebol terá de pagar cerca de R$ 410 mil por suas irregularidades, recebeu o que merecia – um belíssimo chute no traseiro. Pena que chegou com um atraso de quatro anos.
(*) André Malinoski – Editor de Esportes de O SUL e autor do livro “Os Gigantes Estiveram Aqui”