sábado, 13 de fevereiro de 2016

Tiro de Meta

Ninguém segura o “Zecão”

Carla Seabra (*)

A temporada de futebol em 2016 mal começou, mas confesso que estou impressionada. Na Arena, no último dia 12, o São José, invicto há mais de 20 jogos, mostrou que não é mais o Zequinha, é o “Zecão”. Diante de um Grêmio apático, foi praticamente o mandante do jogo. Mostrou organização, entrosamento, maturidade, esquema tático bem aplicado e muita disciplina. Marcou bem, envolveu o meio de campo tricolor e surpreendeu a defesa gremista bem mais que meia dúzia de vezes. Nasce uma equipe forte que, a continuar assim, pode chegar à final do Gauchão. E, quem sabe, surpreender a dupla e se sagrar campeã. É loucura duvidar. Eu vi, ao vivo e a cores. Grande São José.

Eu gostaria, independente do jogo de uma tarde de sexta-feira com público de pouco mais de 10 mil pessoas, falar em boas surpresas, no Grêmio. Everton, que prometia, no ano passado, não desencantou e resolveu se guardar para 2016. Está bem, evolui a cada jogo e já marcou dois gols em três partidas do campeonato regional. Prestem bem atenção nele. Acho que deslancha.

Mas, agora, chega mais e me diz: o que é esse Lincoln? Um menino de apenas 17 anos, que vem da Lomba do Pinheiro, na zona leste da capital, e que tem muito futebol para mostrar para o país inteiro. E nem deveria ser surpresa a performance dele em campo, pois, desde os 13 anos, é chamado a integrar as seleções brasileiras das categorias de base. O que já lhe rendeu uma passagem curiosa, em 2013. Por causa de um corte de cabelo, que apresentava um L10 desenhado, ele foi repreendido pelo então coordenador das categorias de base da seleção, Alexandre Gallo. O guri, claro, tão novinho, ficou irritado, rebelou-se e parou de apertar a mão do então técnico Luiz Gabardo Nunes.

Como nenhum dos dois adultos tinha a sensibilidade de um psicólogo, retaliaram o menino-craque e o tiraram da lista de convocados para a Copa das Nações, no México. Com mais esta prova de que "a corda sempre rebenta do lado mais fraco", Lincoln raspou o corte "criativo" (Neymar, por muito tempo, usou corte tipo calopsita e ninguém pegou no pé dele, até porque é um pé com muito futebol) e foi premiado. Em 2015 voltou a ser convocado, desta vez para o Campeonato Sul-Americano Sub-17. No Mundial seguinte, acabou sendo o capitão do selecionado canarinho.

 Lincoln, hoje, mora na zona sul de Porto Alegre, mudou de vida, mas não o sangue de craque. Tenho a nítida impressão de que ele vai dar muitas alegrias à torcida tricolor. E que, assim sendo, vai acabar no futebol europeu, quando atingir um pouco mais de maturidade. Enquanto isso, que a direção gremista aproveite bem a pedra preciosa que tem em mãos. Porque a lapidação pode deixar com o Roger Machado, comprovadamente, um grande conhecedor do futebol moderno.

Quanto ao Inter, na próxima coluna eu falo sobre o colorado, mas já convido o Argel a conversar um pouco com o China Balbino. A propósito, técnico do São José: o “Zecão”.

(*) Carla Seabra – Jornalista da Rede Record/RS