Zé Nox (*)
Ao iniciar a digitação destas linhas, não consigo afastar da consciência o jargão popular que apregoa "reclamando de barriga cheia". Os últimos dez anos foram, sem dúvida, polpudos para as contas e para as estatísticas da Nação Vermelha. Felicidades, emoções, voltas olímpicas e ídolos para a posteridade. O Gigante agigantou-se - ainda mais. O Inter internacionalizou-se - de vez.
Deitar sobre os louros não foi o caso. As ambições e os padrões permaneceram elevados. As intenções, as melhores possíveis. Administrações recentes, nem tanto. Luigi foi um vigilante do patrimônio. Levou a cabo a modernização do Beira-Rio, costurou acordos e agregou interesses para manter o clube sob controle, sem endividamentos desenfreados. Mas o futebol foi pobre. A matéria-prima que dá razão à existência da instituição foi pobre. Ainda assim, terminamos o ano de 2014 classificados para a Libertadores, nossa eterna menina dos olhos. Olha o jargão aí: "reclamando de barriga cheia".
Veio Piffero. Voltou Piffero. Vice-presidente Campeão do Mundo. Presidente no Bi da Libertadores. E o que recebemos no raiar de 2015? Respondo: um dos piores planejamentos de início de temporada desde os malfadados anos 90. Ex-atletas, jogadores no estaleiro e alguns que sequer poderiam jogar antes de cinco ou seis meses, graças a lesões recentes. Um "antiesforço" no qual a escolha do treinador surgiu como coroa, manto e cetro. Deu no que deu. A demissão do mesmo técnico meia semana antes de um Gre-Nal deu no que deu. A contratação do novo técnico, outra imensa interrogação, ainda ESTÁ DANDO... Ainda assim, fechamos o Brasileirão 2015 no G5, a um passo da Liberta. Lembram do jargão?
Sobre 2016? Nem vou falar. As negociações expressas nas manchetes e o futebol apresentado dentro das quatro linhas falam por si.
O problema, meus caros, minhas caras, é que o Povo Colorado não se resigna mais com o quase. Este que vos escreve, não se resigna. A População Alvirrubra não engole mais estas decisões inexplicáveis de pré-temporada que "pifam" o restante do ano. E só não vê, quem não quer.
É até ingrato, injusto, essa tal "reclamação em tempos de barriga cheia". Mas, na escassez, um dia a barriga esvazia.
(*) Zé Nox é José Francisco Alves - Publicitário e Designer Gráfico