quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Papo Reto

Muito barulho por nada

Nico Noronha (*)

Argel Fucks valorizou ao extremo a pré-temporada do Inter nos Estados Unidos. “Enfrentamos adversários fortes - Bayer Leverkusen e Fluminense – e não o time do Sindicato”, alfinetou, comparado o início dos trabalhos de seu grupo com o do rival Grêmio, pois esse andou fazendo jogo-treino contra a equipe do Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul.

Todos no clube estavam muito otimistas e confiantes quanto ao sucesso do time no começo da temporada. A diretoria até conclamou o povo colorado para a arrancada, estipulou preços promocionais de ingressos e 13 mil fiéis foram ao Beira-Rio para a estreia Na Primeira Liga, contra o Coritiba, na noite de quarta-feira, 27 de janeiro.

Pois, copiando o título shakespeariano, foi “Muito Barulho por Nada”. O ataque simplesmente não funcionou e o goleiro Wilson, do Coritiba, foi pouco mais do que um assistente da partida. Uma atuação decepcionante, a ponto de a maioria daqueles 13 mil fiéis que lá estavam terem decidido despejar fortes vaias sobre os jogadores na saída de campo.

D’Alessandro, que não consegue engolir críticas com naturalidade, reagiu fazendo alguns gestos para a torcida, pedindo um pouco mais de compreensão, afinal era apenas o primeiro jogo oficial da temporada. E de um modo geral os jogadores do Inter gostaram do desempenho da equipe. Eduardo Sasha, por exemplo, resumiu a atuação falando que “a bola só não quis entrar”. E o técnico Argel, na mesma linha de raciocínio, rasgou elogios ao time e concluiu que “só faltou o gol”.

Pois é. Eles gostaram do Inter no 0 a 0 com o Coritiba. Mas aqueles 13 mil que ficaram lá beira do Guaíba até a meia-noite, com certeza não. E eu insisto que foi barulho por nada, muito elogio para pouco futebol.

(*) Nico Noronha  - jornalista e co-autor do livro “A História dos Gre-Nais”