quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Futebol Nobre

Gauchão é Copa do Mundo da Dupla Gre-Nal

José Evaristo Villalobos/Nobrinho (*)

A frase do grande cronista Cláudio Cabral, já falecido, continua mais viva do que nunca: “Só existe algo pior do que só vencer o Gauchão, perder o Gauchão”. E tem sido assim para o Inter nos últimos anos. O time colorado é pentacampeão regional e não consegue conquistar nada mais importante fora do Estado desde 2011, quando foi bicampeão da Recopa Sul-Americana, encerrando um ciclo brilhante de títulos internacionais. O Inter foi bicampeão da América em 2006 e 2010, Campeão do Mundo em 2006 e campeão da Copa Sul-Americana em 2008. Já o Grêmio foi campeão da Copa do Brasil em 2001 e desde lá só conquistou quatro regionais. Por isso, o Gauchão é a Copa do Mundo para a dupla, a chance dos seus fanáticos torcedores gritarem “campeão”, palavra mágica que encanta a todos. E torcer para que não surjam outros Juventudes e Caxias que roubaram a cena em 1998 e 2001.

Escrevo isso por ser um fato, mas não aceito essa realidade. Tenho saudade dos tempos em que a dupla Gre-Nal calou o centro do País, empilhando títulos importantes, o que hoje só vemos pela televisão sendo preteridos por paulistas, cariocas e mineiros. Este negócio de comemorar vaga para a Libertadores é deprimente. É claro que se trata de uma competição importante, mas só se justifica a comemoração se o clube envolvido ficar campeão. O resto é consolo, como o Inter eliminado pelo Tigres na semifinal do ano passado.

A solução para isso passa pelo planejamento das categorias de base de onde virão reforços para a dupla sem quantias astronômicas e muitas vezes sem o resultado esperado. Chega de se contratar jogadores velhos no futebol brasileiro e estrangeiros de segunda linha. É hora de se investir nos Dourados, Luans e companhia e dar espaço para que surjam novos talentos, quando estes forem embora. E vão embora. Só jogadores ruins não são vendidos, não tem mágica, não adianta chorar. Por isso, o velho e desgastado Gauchão ganha força. É ali que a dupla Gre-Nal poderá fazer testes e lançar novos valores. Se não for um investimento presente, pelo menos servirá para o futuro. O Gauchão serve como laboratório para a dupla Gre-Nal.

Por isso, termino como comecei citando o velho Cabral e me adono de suas palavras:
 - Só existe algo pior do que vencer o Gauchão. Perder o Gauchão!

(*) Nobrinho - jornalista, ex- assessor de imprensa do SC Internacional