quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Artigo

Muito menores do que Pelé

André Malinoski (*)

Eu estava realizando uma entrevista com o professor Ruy Carlos Ostermann há pouco tempo. Por mera curiosidade questionei o cronista que esteve em 13 Copas do Mundo de forma presencial quem, afinal, seria o segundo melhor jogador de todos os tempos atrás de todos nós sabemos quem – Pelé.

Antes mesmo de escutar a resposta, lembrei alguns nomes que ao longo das últimas décadas foram comparados em algum momento com o Rei do Futebol. Fui citando Di Stéfano, Puskas, Cruyff, Beckenbauer, Maradona, Platini, Zidane, Messi e por aí vai. E o Ruy, o nosso Pelé da crônica esportiva, com toda a calma do mundo e sentado na poltrona de sua sala de estar não titubeou:

“Todos os que você lembrou foram muito menores do que Pelé. Mas para dizer um nome, mesmo que muito aquém de Pelé, eu diria Cruyff”.

Não vi Pelé jogar, aliás também não vi Cruyff em ação. Apenas por teipe. Mas sou um que também acha o ex-santista o melhor da história.

A propósito, estive na presença de Pelé apenas uma vez. Foi lá no começo de 2002, quando eu estava realizando uma reportagem em São Paulo sobre uma exposição com diversas relíquias de sua trajetória ao longo do futebol. Não era para Pelé aparecer no Museu de Arte de São Paulo, onde acontecia o evento na ocasião, mas ele chegou, subiu ao palco e depois quase foi atropelado por repórteres atrás de uma declaração. Eu acabei vendo o autor de 1.281 gols a poucos metros. Na hora observei duas coisas – Pelé não era tão alto quanto eu achava e aparentava ser mais jovem do que realmente era. E foi só, pois fui atropelado por dezenas de jornalistas como tantos outros colegas.

Se tenho mais algo a dizer daquele dia? Era a inauguração da exposição “Pelé - A Arte do Rei”. E quem disse a coisa mais apropriada naquela noite foi o então presidente da Fifa, Joseph Blatter, sem imaginar que sairia de cena pela porta dos fundos do futebol 13 anos mais tarde. Palavras do cartola:

"Você abre um museu e já está nele. Isso é impossível. Você já é um monumento".

A única dúvida que tenho até hoje é se os outros são muito menores do que Pelé, como tão bem frisou o Ruy, ou se Pelé é que é infinitamente muito maior do que os outros.

(*) André Malinoski - Editor de Esportes de O SUL e autor do livro “Os Gigantes passaram por aqui”