segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Olhos de Lince

Chutar é preciso, tocar não é preciso!

Roberto d’Azevedo (*)

Se o “grande filósofo” do futebol Neném Prancha tivesse, um dia, sido apresentado ao poeta português Fernando Pessoa pelos jornalistas Armando Nogueira ou João Saldanha, que o ajudaram a criar e imortalizaram suas frases deliciosas, quem sabe o chute tivesse ganho um lugar melhor no folclore da bola. De qualquer forma, na mesma linha, mais de 60 anos antes do tic-tac do Barcelona, o famoso Neném Prancha já disse que “futebol moderno é quem nem pelada. Todo mundo corre e ninguém sabe pra onde”.

Valorizar a posse de bola é ótimo, mas tocar de lado, em círculos, em vai-e-vem, só facilita a marcação, porque permite a recomposição completa do adversário e diminui o espaço de ataque. Se iludir com a ideia de que é possível ganhar uma partida de futebol apenas fazendo gols de dentro da área e com chutinhos de lado de pé é um erro fatal. O grande Neném Prancha também já ensinava: quem não faz, leva.

No estádio ou na televisão, na rodada da semana passada do Gauchão, milhares de torcedores viram os gols maravilhosos de Renan Oliveira para o Passo Fundo e Artur para o Internacional. Chutes de fora da área, perfeitos, indefensáveis mesmo para um goleiro de Seleção Brasileira como o Alisson. É difícil acertar um lance assim? Depende. Se treinarem e, principalmente, se tentarem, com certeza veremos mais gols destes. A mim parece mais difícil entender por que esse tipo de jogada tem sido tão raro na dupla Gre-Nal?

O Gre-Nal do dia 6 de março se aproxima. Será na Arena e valerá por duas competições, Gauchão e Primeira Liga. Poderá significar, inclusive, a eliminação de um dos dois nessa competição nacional. Que torcedor do Grêmio já esqueceu o último Gre-Nal na Arena ? E tudo aquilo começou como? Com um belo gol do Giuliano... de fora da área. E no Gre-Nal do ano anterior, também na Arena, dos quatro ... a festa do Alan Ruiz se fez com gols de fora da área igualmente. Maxi Rodrigues, Elano ... tantos gols de fora da área importantes na história recente do Grêmio. Que sirvam de inspiração para acabar de vez com esse “ventilador” (ou seria enceradeira?) em que se transformou o sistema de armação do Grêmio hoje.

(*) Roberto Alves  d’Azevedo – Jornalista