terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Futebol Nobre

Não somos mais os melhores

José Evaristo Villalobos/Nobrinho (*)

Pelé ganhou cinco mundiais. Três com a Seleção Brasileira e dois com o Santos. É a única unanimidade no mundo do futebol, embora alguns argentinos se atrevam a compará-lo com Maradona. Só se jogarem futebol em outro planeta... Durante muitos anos, o futebol brasileiro foi falado e decantado como melhor do mundo, fato completamente descartado hoje devido aos muitos erros dos gestores de nosso futebol, das condições econômicas do País e dos altíssimos – e incomparáveis – investimentos de clubes de fora do País. E a tendência é a coisa piorar. O caso do Corinthians é a prova disso, afinal nem comemorou direito a conquista do título brasileiro de 2015 e o clube já passou por um verdadeiro desmanche neste início de 2016. Hoje em dia só os jogadores ruins são “inegociáveis”, todos os bons de bola pegam o avião e... adeus Brasil. Um paliativo para isso seria uma completa reestruturação do futebol brasileiro, acabando-se com os campeonatos regionais deficitários, realizando-se a Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro durante todo o ano para todos. Assim, até os clubes mais fracos estariam em atividade durante todo o ano – garantindo emprego a seus jogadores – buscando acesso à divisão de elite que poderia contar com mais do que os 20 clubes atuais e mais divisões.  Já que perdemos o glamour de sermos os melhores poderíamos, perfeitamente, imitar os europeus tão organizados e que realizam campeonatos sempre com todos, TODOS, os estádios lotados. Sem falar no planejamento de trabalho para toda uma temporada. Na Espanha, por exemplo, o Barcelona sabe no início da temporada quem irá enfrentar em 28 de dezembro. Pura organização...

Mas estamos longe disso. Aqui, os clubes estão pobres e a televisão faz o que quer com eles. Os campeonatos regionais possibilitam ao presidente da CBF fazer média com os presidentes das federações que são, no final das contas, seus eleitores. Assim, nossos melhores jogadores vão embora, nossos campeonatos estão cada vez mais fracos. Responda rápido: quem são os últimos campeões estaduais em São Paulo,  Minas Gerais e Rio de Janeiro? Pouca gente sabe. Pouco importa.  Qual colorado não trocaria os atuais cinco campeonatos regionais por um título brasileiro? Por um campeonato brasileiro, ou por uma Copa do Brasil? E o pior é que estes deficitários regionais em que tão poucos ganham alguma coisa vão até o final de abril agravando ainda mais a situação do nosso já tão decadente futebol. Se não fossem as fanáticas torcidas...

Por tudo isso é que a esmagadora vitória da Alemanha sobre o Brasil na Copa por impensáveis 7 a 1 tem seu lado positivo. É hora do basta!!! Saúdo a criação da liga Sul-Minas-Rio. Está longe de ser a solução, mas é uma ideia, um embrião, o início de uma revolução que pode mudar esta situação preocupante e cada vez mais difícil por que passa nosso futebol. Talvez eu seja uma velhinha de Taubaté, mas ainda acredito haver pessoas com capacidade de reverter esta situação. Somos muito grandes e estamos amparados por cinco títulos mundiais para dar a volta por cima. Quem viver, verá!

(*) José Evaristo Villalobos/Nobrinho – Jornalista, ex-assessor de imprensa do Sport Club Internacional