Futebol brasileiro do passado era melhor
José Evaristo Villalobos/Nobrinho (*)
Apaixonado por futebol desde guri, colorado, filho de pai gremista, aprendi a gostar de futebol desde cedo. E foi duro. Nasci em 1955 e só fui ser campeão regional em 1969, quando o Inter finalmente quebrou e hegemonia do Grêmio, heptacampeão. Sei que o Inter ganhou em 1961, mas, aí, eu era muito pequeno e não entendia da coisa. Depois, peguei em cheio os oito anos de títulos regionais colorados e o tricampeonato brasileiro, já trabalhando na crônica esportiva, a partir de 1976. Era repórter da Folha da Tarde e fazia o setor colorado ao lado do Júlio Sortica, que me ensinou muitas coisas, sendo chefiado pelo Élio Fagundes e sob a coordenação geral do Jair Cunha Filho. Mais tarde, segui o rumo na Zero Hora, novamente ao lado do Sortica e “cuidei” do setor Inter até sair em 1992. Bons tempos...
Durante toda minha juventude vi grandes times de futebol. Acompanhei muitas vezes, o Grêmio, da década de 60, com Alberto, Altemir, Aírton, Áureo e Everaldo; Cléo e Sérgio Lopes, Babá, Joãozinho, Alcindo e Volmir. O Palmeiras dos anos 70 de Leão, Eurico, Luiz Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Nei. O Inter de 75 e 76 com Manga; Cláudio, Figueroa, Hermínio (Marinho Perez) e Vacaria, Falcão, Caçapava e Paulo César Carpegiani (Batista), Valdomiro, Flávio (Dario) e Lula. O Fluminense de Rivelino e Paulo César. O Cruzeiro de Tostão, Joãozinho e Dirceu Lopes. Cada vez que Pelé vinha a Porto Alegre estava no Estádio desde cedo, mais olhando para ele do que para o jogo propriamente dito. Aliás, como foi bom torcer para um time com Pelé, caso da Copa do Mundo de 1970. Depois, ganhamos em 1994 porque tínhamos Romário e em 2006, com Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, craques a moda antiga, que já não existem mais.
Infelizmente, isso ficou no passado. Recentemente, ao fazer uma palestra para estudantes me perguntaram: quem foi melhor: os times do passado ou presente? A resposta foi muito fácil:
- O do passado, pois os melhores jogadores aqui estavam.
Já escrevi que hoje quem é razoavelmente bom de bola pega o avião e vai embora. E desde cedo, pois os empresários usam os clubes brasileiros para divulgarem seu “produto” por pouco tempo e ganham muito com isso. Logo, logo, eles pegam o avião e vão embora. Até mesmo os goleiros. Leio e acredito que Alisson já está vendido. Não tem, mesmo, como competir com a moeda mais forte. O consolo é que as televisões cada vez mais mostram campeonatos do exterior, aí, podemos nos deliciar vendo equipes como o Barcelona. Algo muito parecido com o Santos, bicampeão mundial na década de 60, mas que só ficou na lembrança dos mais velhos. É a tal coisa do quem viu, viu... A não ser que mudem a legislação e deixem nossos melhores jogadores por aqui pelo menos até 24, 25 anos.
Não creio!
(*) Nobrinho - Jornalista, ex- assessor de imprensa do SC Internacional