sábado, 20 de fevereiro de 2016

Olhos de Lince

Luan a Roger: decifra-me ou te devoro!

Roberto Alves d´Azevedo (*)

Tal qual Édipo na porta de Tebas frente à Esfinge, como reza a mitologia grega, o treinador do Grêmio agora tem que decifrar o enigma ou sucumbirá. Restam apenas alguns dias. O prazo é a primeira semana de março, entre o dia 2, contra a LDU, no próximo jogo da Libertadores, e o Gre-Nal do dia 6, que definirá qual clube gaúcho seguirá rumo às finais da Primeira Liga. O detalhe significativo é que os dois jogos serão na Arena, sob os olhos atentos e desconfiados da sua própria torcida.

O garoto Luan é o principal jogador do Grêmio desde o ano passado, tanto pela reputação que construiu quanto pelo potencial técnico que todos percebem no futebol dele. É ali que está o termômetro do time. Quando Luan faz duas apresentações fraquinhas (o adjetivo ridículas poderia soar agressivo demais) consecutivas, como contra o São José e o Toluca, é um sinal evidente de que alguma coisa está errada no time. No time, que fique bem claro, e não nele. Esse é o enigma que o técnico Roger tem que decifrar com urgência.

Em 2010, a direção do Internacional cansou de esperar que o técnico Fossati decifrasse o enigma D’Alessandro durante a Libertadores, enquanto Giuliano (esse mesmo que é titular aí no Grêmio agora) saia do banco de reservas para salvar o time no final de cada jogo. A paciência dos dirigentes terminou às vésperas da semifinal, quando então chamaram Celso Roth. Roth chegou com a solução do enigma: Tyson – velocidade e verticalidade na passagem da defesa para o ataque. E o Inter foi campeão, carimbou o passaporte para o mundial de clubes.

Por que Luan não está conseguindo jogar? Nem como falso 9, nem como jogador de lado, muito menos como armador. Por que ele não consegue tocar de primeira nunca, só dá passes para trás e não chuta no gol nem quando está na área adversária? Quem sabe seja pelos mesmos motivos que a zaga está desprotegida e os laterais sem cobertura... com os “velhinhos” Edinho, Maicon e Douglas no mesmo setor, como ter uma saída de bola qualificada (velocidade e verticalidade) ou uma recomposição rápida que não seja apenas pelo miolo do campo ?

Roger está “às portas de Tebas”. Para não sucumbir antes da Páscoa, ele precisa decifrar o enigma. Só assim conseguirá “entrar na cidade e chegar à Rainha”. Se conseguir ultrapassar esse momento importante, então, poderá tentar ser mais feliz do que Édipo, que descobriu ser a Rainha a sua mãe, ou do que Celso Roth, que certamente nunca imaginou uma Rainha como o Mazembe.

(*) Roberto Alves d´Azevedo - Jornalista