A volta dos que não foram
Nico Noronha (*)
O Grêmio chegou a Porto Alegre cedo da manhã da última sexta-feira, retornando do México, onde teve uma atuação desastrosa na noite de quarta para quinta. Lá sofreu 2 a 0 de um adversário, o Toluca, que atuou com apenas dez em campo desde o primeiro tempo. Aquele time que vestiu camiseta listrada com as cores azul, preto e branco, nem de longe pareceu ser o Grêmio.
Ao acompanhar a chegada daqueles envergonhados jogadores, lembrei de um título cômico de um filme que nunca foi rodado: “A Volta dos Que Não Foram”. Quem já não ouviu essa bobagem ao longo das décadas? Lembro bem daquele bando de piás com os quais convivi na infância, lá em Santiago do Boqueirão, tentando inventar nomes para filmes inexistentes. Havia o suspense “Poeira em Alto Mar” e o western “A Bala que Dobrou a Esquina”. Quanto besteirol!
Mas o grande clássico foi mesmo e sempre “A Volta dos Que não Foram”. E os atores desse, na versão 2016, foram os irreconhecíveis atletas do Grêmio Football Porto Alegrense. Eles foram péssimos canastrões na noite fria de Toluca, com destaque – negativo – maior para dois laterais que não marcaram ninguém, dois volantes que pareciam baratas tontas e até a estrela principal do elenco, Luan, que foi omisso o tempo todo.
O diretor dessa trupe, Roger Machado, deve ter puxado com força as orelhas de seus comandados e avisado que até troca de alguns atores poderá ocorrer na sequência das apresentações. É certo, por exemplo, que o atacante equatoriano Miller Bolaños ingressará logo, assim que adquirir a mínima condição física para tal. E há um personagem totalmente indefinido, que precisa ser encontrado logo, para fazer dupla com Pedro Geromel na zaga. E são três disputando esse papel no momento: Fred, Kadu e Bressan.
Sejam quais forem os escolhidos, a única coisa certa é que o Grêmio que sumiu precisa voltar urgentemente. A conquista de uma vaga à próxima fase da Libertadores da América, que já ao natural seria difícil de ser alcançada, agora ficou ainda mais complicada. Serão necessárias, obrigatoriamente, duas vitórias nos dois próximos jogos em casa, para assim fazer renascer o sonho de um título que, caso venha, será como a conquista de um reluzente Oscar.
(*) Nico Noronha - Jornalista e co-autor do livro “A História dos Gre-Nais”