Vitória e Gloriosa: uma divertida história à portuguesa
André Malinoski (*)
Essa aconteceu comigo em 2013, durante uma visita ao Estádio da Luz, em Lisboa. Decidi conhecer o Benfica, clube que muitas vezes conta com jogadores brasileiros em seu elenco e conquista importantes títulos no futebol.
Pois lá estava eu defronte da estátua do ex-craque Eusébio, no pátio externo do estádio à espera de Vitória. A águia, que tem esse nome, é o símbolo do time e uma atração à parte nas partidas dos “encarnados”. Eu queria muito ver a ave e tirar uma foto ao lado dela.
De repente apareceram o tratador e a própria Vitória, com uma viseira nos olhos. “É uma ave de rapina. Sem isso ela fica muito excitada e pode escapar para perseguir presas”, explicou André, que cuidava pessoalmente do símbolo benfiquista.
O treinador a conduzia para a loja oficial do Benfica, local onde as pessoas podem tirar fotos com a predadora. Fui atrás dos dois, feliz da vida como criança quando ganha chocolate na Páscoa.
Eu havia lido antes em jornais portugueses que Vitória sempre era solta antes de a equipe entrar em campo no Estádio da Luz. A ave fazia uma performance, voava em torno do gramado cheia de pose e pousava soberana sob os aplausos dos torcedores. Vitória era simplesmente um sucesso.
Tirei fotos com Vitória e fui passear pelo estádio. Lá dentro estive em vários setores, como vestiários, tribunas e no gramado. Perto da linha lateral do campo tomei um susto. Havia outra águia um pouco diferente da Vitória. “Mas quem é essa?”, questionei a um dos funcionários do Benfica. “Ah, essa é a Gloriosa!”
Na minha cabeça não havia motivos para um clube ter duas águias. Então perguntei o que precisava ser perguntado: “Por que duas águias?”.
Resposta do português: “A Vitória é um pouquinho geniosa, às vezes, dá umas escapulidas e vai namoricar nos parques de Lisboa. Então escalamos às pressas a Gloriosa. Essa é mais reservada, não gosta de beijinhos e não perde um jogo do time por nada nesse mundo”.
Vitória e Gloriosa podem não marcar gols, mas são parte da alma do Benfica. Comprovei isso naquela divertida visita.
(*) André Malinhoski – Editor de Esportes de O SUL e autor do livro “Os Gigantes Estiveram Aqui”