sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Artigo

Velhas novidades coloradas

Gilberto Jasper (*)

         Sou sócio do Internacional há muitos anos, muito antes da conquista do mítico título de Campeão do Mundo FIFA, em 2006. Apesar das glórias pretéritas, não lembro da última vez que fui ao Beira-Rio. Não me sinto estimulado a gritar pelo time do coração, deixar o convívio com os familiares regado a churrasco e cerveja gelada, e a enfrentar contratempos  risíveis como os recentes apagões de energia elétrica.

         Pago religiosamente minha mensalidade, e também a de meu filho, que há horas abraçou o futebol americano em detrimento do soccer. Sinto saudades da época em que morava no Interior do Estado e viajava horas para ver o Colorado. Aos domingos chegava por volta das 2h da madrugada, mas tinha direito a assistir ao menos a uma partida preliminar, além de diversas promoções no intervalo do jogo.

         Hoje o conforto é maior, mas qual seria outro atrativo para me convencer a pagar R$ 45,00 no estacionamento coberto que sempre sonhei quando usava o empoeirado/barrento espaço que a EPTC mantinha ao lado do Beira-Rio? Semanalmente recebo do marketing do Inter e-mails festejando que a tarifa no Gauchão baixou para R$ 25,00. Vamos convir. Trata-se de um valor digno de estacionamentos em bairros como Moinhos de Vento, Rio Branco e Mon't Serrat.

         Numa era de táticas cada vez mais sofisticadas para atrair público, através da oferta de produtos de qualidade e vantagens, a criatividade dos "magos" do marketing dos grandes clubes brasileiros carece de renovação e morre à míngua. Não sinto o menor entusiasmo de ver meu time disputar o campeonato regional. Muito menos em horários absurdos - como 19h30min ou 21h45min - ou sob um sol de 40°C.

         É hora de modernizar as relações clube-torcedor, tornar realidade a máxima de que somos a razão de existir destas instituições. Descontos aqui ou acolá ou rebaixamento do valor do ingresso - quase sempre em momentos críticos na classificação - é coisa do século passado.

         Enquanto as relações se mantiverem na idade da pedra, dificilmente o outrora Clube do Povo aumentará seu quadro social, chegando a 150/200 mil integrantes. Mantenho minha filiação graças às minhas origens germânicas, mas há momentos em que tenho vontade de rasgar a mítica carteirinha vermelha de sócio. Para manter - e ampliar - o quadro social, urgem mudanças, melhorias e modernização.

         Isso somente será possível com mudanças que se iniciam no comando do Internacional. Assim como no campo, o retorno de antigos dirigentes - outrora vencedores - se mostrou uma estratégia fracassada e ineficaz.

 (*) Gilberto Jasper - Jornalista e colorado -  http://gilbertojasper.blogspot.com.br/