sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Futebol Nobre

O sonho não pode acabar

José Evaristo Villalobos/Nobrinho (*)

O colunista Hiltor Mombach escreveu no Correio do Povo que Inter e Grêmio nunca mais ganhariam um campeonato brasileiro se este fosse mantido com a fórmula atual: em pontos corridos, todos contra todos. Acertou em cheio, pois vimos nos últimos anos paulistas, cariocas e mineiros levantarem taça quando nós no máximo comemoramos a conquista de  uma vaga à Libertadores da América. Concordo com o Hiltor e acrescento: é mais fácil vencer a Libertadores, campeonato de tiro curto, mata-mata, do que uma competição por pontos corridos. Esta é a grande chance do Grêmio, nosso representante gaúcho, especialmente se passar por seu grupo, muito difícil. E o Grêmio já largou com derrota na primeira partida...

Para mim, o time mais forte do Brasil é o Atlético Mineiro, que manteve seus jogadores e tem a vantagem de atuar no caldeirão do América Mineiro, apoiado por sua fanática torcida. Isso se o Diego Aguirre não atrapalhar e começar a destreinar o time em seus rodízios absurdos e desnecessários. Campeonatos de pontos corridos são os mais justos. Todos contra todos, em casa e fora. E beneficiam as melhores equipes, os melhores elencos. Vejam os casos do Bayern de Munique e do Barcelona que lideram soberanos os em seus países. Este, no momento, não é nosso caso.

 Mas, sempre há um “mas” em tudo,  creio que há chances da profecia do Hiltor se quebrar neste 2016. De uma maneira triste, mas real: o nivelamento por baixo. Não há mais bicho papão no País. O Corinthians, grande campeão de 2015, se desmanchou. O Corinthians que tem uma torcida fanática e todas as mordomias dos canais de televisão e de receber mais grana. O que se dizer dos outros? Resta a dupla Gre-Nal tentar tirar proveito disso. O Grêmio disputa a Libertadores e tratou de reforçar seu time, enquanto o Inter tem até maio para fazer ajustes e chegar forte ao brasileiro, exatamente o contrário do que fez no ano passado, quando abriu mão do Brasileiro e ficou sem vaga e sem título da Libertadores.

 No caso do Inter, cabe aos seus dirigentes não se iludirem com o Campeonato Gaúcho e encararem a conquista do hexacampeonato como um grande feito. É feito, mas não é grande. Afinal, o Inter não ganha nada mais importante desde 2011, quando venceu a Recopa dos Campeões da América. E o Grêmio não vence nada mais significativo desde 2001, por incrível que pareça.

O futebol gaúcho orgulha muito nossa terra, afinal  estão aqui dos campeões mundiais e dois bicampeões da América, por isso não custa sonhar na volta aos bons tempos. Quem sabe o Grêmio não termina o ano em Tóquio e o Inter tetracampeão brasileiro? Começamos bem em 2016, com as diretorias da dupla Gre-Nal mantendo seus técnicos e dando continuidade ao trabalho. Eu bem que gostaria de ver Tite, Muricy e Abel no Inter, mas, na falta deles, que siga a continuidade, enquanto  Roger está respaldado por um bom trabalho em 2015. Nesta  hora de verdadeiro recomeço do futebol gaúcho não vou perder minha fé.

Como diria o grande John Lennon “O que não pode acabar é o sonho”...

(*) José Evaristo Villalobos/Nobrinho – Jornalista, ex- assessor de imprensa do Sport Club Internacional