O trabalho do Argel ainda precisa evoluir
Raul Grochau (*)
Depois da partida de domingo passado
entre Inter e São Paulo de Rio Grande pelo Gauchão li e ouvi rasgados elogios a
respeito da capacidade do técnico Argel Fucks em melhorar o time, em promover
mudanças táticas e técnicas, o quanto tinha de dedo do treinador colorado nos
últimos resultados do time e outras coisas do tipo. Lendo e ouvindo estas
coisas o Argel deve ter pensado que realmente seus sonhos de ser um segundo
Tite, de treinar a Seleção de Portugal ou a Seleção Brasileira podem se tornar
realidade, mas como diz a gurizada, só que não.
Muita calma nesta hora. Não podemos
esquecer que estamos falando do Gauchão onde o nível de competitividade não é
lá estas coisas. Aliás, nenhum regional, exceto o Paulistão, possui um bom
nível de competitividade. Por isto mesmo há muitos anos se tem dito que os
regionais não servem de parâmetro para competições nacionais. Um exemplo disto
é o RJ, um centro economicamente forte, com quatro equipes grandes onde o
campeão, o Vasco, caiu para a Segundona e o vice, o Botafogo, saiu da Série B
no final do ano.
Quero dizer com isto, gente amiga, que
o Argel melhorou em relação a ele mesmo, mas a concorrência é fraca e ainda
assim o Inter vinha tropeçando em adversários modestos. No domingo passado
mesmo o próprio São Paulo teve duas chances de gols claras por conta da
fragilidade defensiva do Colorado e só não marcou pela inabilidade de seus
atacantes. Então dizer que o Argel melhorou, que encontrou o esquema ideal para
o Inter é uma generosidade com o arredio treinador colorado. Eu diria que o
técnico do Internacional está menos pior do que já esteve, mas isto não
representa necessariamente uma evolução se levarmos em consideração o modesto
nível dos adversários até o momento comparado com o poderio técnico e
financeiro do Inter.
Já contra o São José no próximo final
de semana poderemos ter uma idéia do que o Argel é capaz, pois o Zequinha fez a
segunda melhor campanha do Gauchão até o momento, ficando apenas atrás do
Grêmio. Mas conhecendo bem o técnico colorado, qualquer revés será por culpa do
árbitro, dos desfalques ou do gramado sintético ou então culpa de determinados
setores da imprensa que insistem em não ver méritos no seu trabalho. Mas mesmo
que eu seja uma ilha solitária de críticas num oceano de elogios ao Argel, não
me furto em declarar que a mim o técnico do Inter ainda não convenceu.
(*)Raul Grochau – Jornalista – Editor do blog Pitacos
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