Tá difícil de entender, mas os resultados explicarão
Roberto d'Azevedo (*)
Tá certo que (quase) tudo está difícil de entender no País, já há algum tempo, mas como esta Tribuna é do mundo da bola, vamos ficar hoje no caso específico do Grêmio, que é o protagonista do futebol gaúcho nesse primeiro semestre do ano, seja pela participação na Libertadores, seja pela liderança consolidada no Gauchão. Quem comanda o clube, dentro e fora do campo, não está conseguindo comunicar a lógica de tantas escolhas aparentemente equivocadas.
Centroavante – Depois de testar bastante e constatar que a posição de Luan não é a de falso centroavante, contratar Henrique Almeida, reabilitar Bobô, que está fazendo um gol por partida e afirmado como titular, e promover o jovem Batista ao grupo principal, por que no segundo tempo contra o Brasil o treinador Roger teve uma recaída com a ineficácia do “falso 9” ? Só para ver mais uma vez que não funciona mesmo?
Armação – Se nos primeiros três meses do ano não deu pra ver a diferença entre a velocidade e a verticalidade dos garotos comparadas com a performance dos cascudos, em uma semana a realidade sambou à frente do treinador do Grêmio. Em Passo Fundo, sem Giuliano, Douglas e Luan, o Grêmio fez uma partida excelente. Contra o Brasil na Arena uma semana depois, sem Pedro Rocha e Lincoln, o setor parou de novo. Como se não bastasse, o jogo estava equilibrado, mas aí entraram Pedro Rocha e Lincoln, Luan melhorou de rendimento com isso, e a goleada floresceu de uma hora para outra.
O mais incrível é que tudo isso parece fazer parte de um contexto maior. Desde o início do ano, ninguém consegue entender por que o lateral Wallace Oliveira foi buscado lá no longínquo futebol inglês ou por que o zagueiro Kadu foi contratado (e já liberado) ... neste momento, por que o volante Walace (claramente lesionado) não foi substituído no intervalo do jogo contra o Brasil, por que a viagem para Quito não foi planejada em voo fretado ... qual o fundamento técnico de ir uma semana antes para o altiplano, quando os médicos sabidamente recomendam um mês antes ou no dia do jogo, para anular os efeitos da altitude ?
Enfim, como sabemos que o futebol é um “jogo de resultados”, nos próximos dias teremos as respostas para tudo isso. Se a classificação na Libertadores vier e a taça do Gauchão quebrar a sequência de seis anos sem qualquer título saberemos que no comando do Grêmio temos pessoas privilegiadas, com uma visão invejável, apenas mal compreendidas por quem com elas convive. Entretanto, se a eliminação na competição sul-americana chegar tão cedo, nessa fase de grupos, ou esse Gauchão não se confirme como o primeiro título na história da Arena, quem sabe se possa explicar melhor do que o Grêmio precisa urgentemente.
(*) Roberto d'Azevedo - Jornalista