sexta-feira, 8 de abril de 2016

Artigo

Até breve, Lajeadense!

Gilberto Jasper (*)

Tenho uma história de afeto com o Lajeadense. Pra começar, nasci a poucos quilômetros dali, em Arroio do Meio, no Vale do Taquari. Muitas vezes, a convite de colegas do Colégio Estadual Castelo Branco, ia bater uma bolina entre os juvenis do alvi-azul. Com o tempo, senti que era muita pretensão tentar ser boleiro. Mudei para enveredar pelos caminhos mais tranquilos do jornalismo.

A ascensão do clube - dentro e fora do campo - me encheu de orgulho. A conquista de vários títulos do Interior se somaram à inauguração da Arena Alvi-Azul, sonho acalentado por décadas pela comunidade lajeadense.

Os elogios da imprensa que visitavam a nova casa inflaram meu ego a ponto de adquirir uma camiseta oficial. Na verdade, comprei duas unidades, através do amigo e editor do jornal O Informativo do Vale, Emilio Rotta. Uma delas foi presenteado a um ilustre torcedor: o jornalista Nilson Mariano, o melhor texto jornalístico do Rio Grande do Sul e um dos melhores do país.

Mariano passou parte da juventude (!) em Lajeado, onde o pai foi gerente de banco. Levado pela gurizada, se transformou num apaixonado pelo clube e habitué do Estádio Florestal, palco de muitas batalhas (dentro do campo) e de alegrias históricas.

Fui ao lendário estádio pela mão do meu falecido pai, desde os meus primeiros anos de vida. Este detalhe serve de parâmetro para mensurar minha tristeza, misturada com frustração, pelo rebaixamento do Lajeadense no final de semana. Acredite num milagre até o último minuto, mas a derrota para o Ypiranga sepultou qualquer possibilidade. Inclusive de reclamar ou culpar o juiz, a federação ou a torcida adversária.

Não vou analisar as causas da queda. Estou distante do dia a dia do clube. Mas há uma unanimidade entre os torcedores: a saída de Luiz Carlos Winck foi decisiva para a debacle que nos levou à Segundona, depois de cinco anos no topo. Talvez se trate de uma postura passional, digna do futebol, mas não se sabe com clareza o que levou a direção a liberar o ex-lateral de tantas conquistas como jogador e treinador do alvi-azul. Talvez seja um questão financeira. Talvez.

Resta lamber as feridas, elaborar o planejamento para o restante do ano e encarar 2017 com realismo para voltar "à elite" do falso charmoso Gauchão. Indiferente à situação atual, continuarei tomando chimarrão na Praça da Encol envergando a jaqueta alvi-azul. Mesmo que os desavisados me xinguem, me chamando de argentino, devido à similaridade dos uniformes...

(*) Gilberto Jasper – Jornalista, editor do blog http://gilbertojasper.blogspot.com.br/