terça-feira, 12 de abril de 2016

Começo de Jogo

A hora da superação para o Grêmio

Júlio Sortica (*)

Em minha trajetória como cronista esportivo já cobri muitas partidas importantes, decisivas, de muitos clubes e seleções e em outras, acompanhei de longe, seja como editor ou apenas observador. E sei muito bem que em determinadas competições há um momento em que um time precisa se superar, ir além do seu possível. É como se costumava afirmar em linguagem de simbolismo futebolístico: “é preciso comer a grama”. Isso significa que o esforço precisa ser maior, muito maior que o próprio limite e que só os bravos conseguem. Os vitoriosos, enfim.

É assim que vejo o desafio para o Grêmio no jogo desta quarta-feira, em Quito, contra a LDU pela  Libertadores. O time equatoriano sabe que joga todas as suas fichas em uma vitória, único resultado que ainda o manterá com chances de sonhar com a segunda vaga – a primeira foi confirmada pelo Toluca na noite de terça-feira, ao vencer o San Lorenzo de virada. Com 3 pontos e ocupando a lanterna, a LDU sabe que precisa vencer este jogo e o último e ainda torcer por uma derrota do Grêmio contra o Toluca na Arena, no fechamento do grupo. O Grêmio, ao contrário, com 5 pontos, não está com a “corda no pescoço”, pois depende apenas de si. E diante do jogo de ontem, depende apenas desta partida para garantir sua vaga. Se vencer vai a 8 e não poderá ser alcançado pelos dois rivais.

Qual o risco maior? Certamente não é a qualidade técnica da LDU, que já demonstrou não ter uma equipe tão competitiva. O risco está em a LDU sim, se superar e tentar ganhar no “sufoco” e o Grêmio sentir os efeitos da altitude de Quito. Mas o time se preparou com uma semana de antecedência para justamente não sentir este efeito negativo. Mesmo assim, segundo relatam os repórteres que acompanham a delegação e viram os treinamentos, o técnico Roger procurou orientar treinos especiais, tanto de exigência física, como de encurtamento de espaços entre os jogadores, justamente para evitar as corridas sequenciais desnecessárias e que provocam desgaste físico. Assim, vamos ficar de olho grudado na TV;

Em outro plano, saímos de Quito e voltamos para a aldeia. Por aqui, termina a segunda fase do Gauchão, de certa forma sem surpresas. Ontem o Juventude, jogando em casa, se impôs ao esforçado Ypiranga com um 4 a 1 incontestável. Garantiu a vaga nas semifinais e vai enfrentar o Grêmio. São José e Inter fazem a outra semifinal, que será disputada no sábado em função da cobertura da votação do impeachment no domingo ser feita pela televisão.


(*) Júlio Sortica – Jornalista – vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS