A hora da superação
para o Grêmio
Júlio Sortica (*)
Em minha trajetória como cronista esportivo já cobri muitas
partidas importantes, decisivas, de muitos clubes e seleções e em outras,
acompanhei de longe, seja como editor ou apenas observador. E sei muito bem que
em determinadas competições há um momento em que um time precisa se superar, ir
além do seu possível. É como se costumava afirmar em linguagem de simbolismo
futebolístico: “é preciso comer a grama”. Isso significa que o esforço precisa
ser maior, muito maior que o próprio limite e que só os bravos conseguem. Os
vitoriosos, enfim.
É assim que vejo o desafio para o Grêmio no jogo desta
quarta-feira, em Quito, contra a LDU pela Libertadores. O time equatoriano sabe que joga
todas as suas fichas em uma vitória, único resultado que ainda o manterá com
chances de sonhar com a segunda vaga – a primeira foi confirmada pelo Toluca na
noite de terça-feira, ao vencer o San Lorenzo de virada. Com 3 pontos e
ocupando a lanterna, a LDU sabe que precisa vencer este jogo e o último e ainda
torcer por uma derrota do Grêmio contra o Toluca na Arena, no fechamento do
grupo. O Grêmio, ao contrário, com 5 pontos, não está com a “corda no pescoço”,
pois depende apenas de si. E diante do jogo de ontem, depende apenas desta
partida para garantir sua vaga. Se vencer vai a 8 e não poderá ser alcançado
pelos dois rivais.
Qual o risco maior? Certamente não é a qualidade técnica da
LDU, que já demonstrou não ter uma equipe tão competitiva. O risco está em a
LDU sim, se superar e tentar ganhar no “sufoco” e o Grêmio sentir os efeitos da
altitude de Quito. Mas o time se preparou com uma semana de antecedência para
justamente não sentir este efeito negativo. Mesmo assim, segundo relatam os
repórteres que acompanham a delegação e viram os treinamentos, o técnico Roger
procurou orientar treinos especiais, tanto de exigência física, como de
encurtamento de espaços entre os jogadores, justamente para evitar as corridas
sequenciais desnecessárias e que provocam desgaste físico. Assim, vamos ficar
de olho grudado na TV;
Em outro plano, saímos de Quito e voltamos para a aldeia. Por
aqui, termina a segunda fase do Gauchão, de certa forma sem surpresas. Ontem o
Juventude, jogando em casa, se impôs ao esforçado Ypiranga com um 4 a 1
incontestável. Garantiu a vaga nas semifinais e vai enfrentar o Grêmio. São
José e Inter fazem a outra semifinal, que será disputada no sábado em função da
cobertura da votação do impeachment no domingo ser feita pela televisão.
(*) Júlio Sortica –
Jornalista – vice-presidente da Associação dos Cronistas Esportivos
Gaúchos/ACEG-RS