quarta-feira, 13 de abril de 2016

Artigo

Dupla Rio-Nal: enormes prejuízos

Gilson Piber (*)

O fato de não terem seus estádios liberados para sediar os jogos da Divisão de Acesso 2016, desde o começo, transformou-se em dois enormes prejuízos para Inter-SM e Riograndense: um, logicamente, financeiro; e outro, técnico. As campanhas das duas equipes são, até agora, bem aquém do imaginado pelas próprias diretorias e os torcedores. A dúvida que persiste é se haverá tempo para Inter-SM e Riograndense escaparem do rebaixamento e, com uma boa dose de otimismo e até sorte, sonharem com a classificação para a próxima fase.

De certa forma, mais uma vez, o planejamento feito pelas duas direções deixou a desejar, tanto no futebol como na parte estrutural. O momento não é de apontar culpados, afinal, fazer futebol no interior gaúcho é algo para heróis, na essência da palavra. Entretanto, a questão dos estádios poderia ter sido tratada antes, colocando o Presidente Vargas e os Eucaliptos em condições para receber as partidas em Santa Maria. Isso não ocorreu devidamente.

O Riograndense montou um bom grupo de jogadores, sob o comando do técnico Rodrigo Bandeira. Com a transferência no início da Divisão de Acesso, por parte da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), em virtude dos estádios da maioria dos clubes não estarem liberados, o trabalho realizado foi todo por terra. O técnico saiu, a exemplo de vários jogadores. Na retomada das atividades, Lucas Fossatti passou a dirigir a equipe periquita e precisou remontar o elenco. Em oito jogos, houve uma vitória (1 a 0 sobre o Santa Cruz, como visitante) e sete derrotas.

Pelo lado do Inter-SM, o técnico Neneca também saiu após o começo do trabalho, assim como muitos atletas. O auxiliar Feliciano Corrêa assumiu como treinador e implantou a sua filosofia de trabalho. Conduziu o time alvirrubro em oito jogos, com uma vitória (2 a 0 no Rio-Nal), dois empates e seis derrotas, sem jogar sequer uma única partida no Estádio Presidente Vargas. Foram sete jogos como visitante e um no Estádio dos Eucaliptos. Após a derrota por 3 a 0 diante do Avenida, o comando técnico sofreu mais uma alteração. O então auxiliar Thiago Costa virou o titular da função, o terceiro na curta temporada, e já conduziu o time contra o Guarani-VA, também, nos Eucaliptos e com portões fechados. Derrota por 3 a 1.

Assisti à rodada dupla do último domingo, dia 10 de abril, no Estádios dos Eucaliptos, e vi uma dupla Rio-Nal interessada e esforçada contra os adversários. Porém, ainda inferior técnica e taticamente, sem falar no desgaste físico causado por uma preparação inadequada para encarar os jogos e as viagens seguidas. Se não bastasse tudo isso, a posição de Inter-SM e Riograndense na classificação gera uma pressão extra sobre as comissões técnicas e os jogadores. É algo que desestabiliza qualquer elenco, já que o tempo passa e os resultados positivos não são obtidos.

Diante dos fatos, é fundamental que os equívocos deste começo de temporada 2016 possam servir de lição para o êxito da dupla Rio-Nal no futuro. A torcida santa-mariense vai agradecer.

 (*) Jornalista da UFSM, comentarista esportivo da Rádio Guarathan e professor do curso de Jornalismo da Unifra.