domingo, 20 de março de 2016

Virando o jogo

Gauchão e suas definições

Edgar Vaz (*)

Em uma conversa com o presidente Francisco Noveletto, antes da bola rolar no Estádio Alfredo Jaconi na primeira rodada do Gauchão, ouvi do “Chico”, que o campeonato seria equilibrado e com pelo menos cinco equipes do interior com chances.

Argumentei discordando que seriam dois brigando pelo título e os demais como coadjuvantes, e com a maioria brigando para fugir do rebaixamento. O Chico não concordou. Claro, precisa valorizar a competição, é natural.

Por enquanto, tirando Juventude e São José, e assim mesmo com ressalvas, não vejo chances para os demais. E depois, não sejamos hipócritas né? Na “hora do pega pra capar”, é um errinho da arbitragem aqui, um equívoco ali, e no final o que iremos ver? Decisão em dois grenais! É ou não é?

A hegemonia grenal só foi quebrada pelo Juventude em 1998 e pelo Caxias em 2000, com méritos? Sim.  Mas também por uma exagerada incompetência dos grandes da capital que vacilaram.

Desde então, não tivemos nada de mais. Mesmo que todo ano sempre haja uma hiper valorização de um ou outro clube do interior. No final, todos assistem pela TV, a decisão de mais um título, entre azuis e vermelhos!

O Gauchão deste ano derrubará mais três clubes para a Segundona. Alguns à beira da degola e outros fugindo dela, como o diabo da cruz. Lamentavelmente, o Cruzeiro que chegou a dar um susto nos grandes no ano passado, foi pra “graxa”.

Muito tem a ver, com o descarte da identidade que sempre teve com o velho estádio da Montanha, e com a comunidade do entorno. Mudar para Cachoeirinha numa jogada que parecia ser o ponto de suporte para um rápido crescimento, se transformou em um tiro no pé.
O estádio ainda não foi concluído, o clube segue sobrevivendo de “merrecas” e caminha a passos largos para Segundona. Conseguirá sobreviver nos próximos anos? Acho difícil.

O Veranópolis depois de muitos anos, é candidato forte. O planejamento para este ano, parece não ter dado certo e o time resiste bravamente. A chance de cair é grande.

A última vaga para o descenso fica a disposição de Glória, Lajeadense e Aimoré. O “Indio Capilé”, mergulhado em dificuldades financeiras não engrenou. O Lajeadense pega na sequência, Internacional e Grêmio. Difícil, para um clube que se estruturou, mas que se “ralou” ao dar um passo maior que a perna, aventurando no Brasileirão da Série D. E o Glória? Talvez escape, o que seria bom para uma comunidade que adora o futebol, e que por longos 10 anos esteve na Segundona.

No futebol de bota e bombacha, mais uma vez veremos torcedores conformados, alguns desapontados e muitos (gremistas e colorados) felizes pela disputa de mais um título regional.
Viu, presidente Noveletto minhas projeções estão se confirmando. Torço para morder a língua!
 
(*) Edgar Vaz – Repórter da Rádio Caxias – Presidente da Associação Gaúcha de Cronistas Esportivos/ACEG-RS