Roberto d’Azevedo (*)
Apesar da Semana Santa, o andamento continua, em Brasília e Minas Gerais, rumo à definição do próximo mês, que ninguém sabe ainda onde acontecerá, mas poderá até ser em Curitiba. Certo mesmo, por enquanto, é que em abril haverá milhares de pessoas nas ruas comemorando vitória. Como sempre, haverá vencedores e vencidos, e uma versão que irá se impor na história. Assim como ficará escrito que neste ano de 2016 iniciou e se consolidou um projeto que visava a terminar com a corrupção instalada e definir a independência de quem, na verdade, é a parte mais importante do sistema.
Por favor, não me entendam mal. Sei que esta Tribuna tem um foco bem definido, mas enquanto a Libertadores está de recesso e o Gauchão atravessa uma fase menos atraente, se impõe a necessidade de comentar o que é mais importante no momento. Lógico que já se deram conta que estou falando da Primeira Liga, uma competição que significará um novo título nacional para um clube do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro ou do Paraná. Um título histórico porque sem o carimbo da (no mínimo) polêmica CBF e ponto de partida para a independência dos clubes.
Internacional e Fluminense, em Brasília, e Flamengo e Atlético Paranaense, em Juiz de Fora, jogam as semifinais nesta quarta-feira, 23. Os dois vencedores decidirão o título, em local ainda indefinido, no dia 7 de abril.
A quem não está dando muita importância para a Primeira Liga agora, lembro a primeira Copa do Brasil, no distante ano de 1989. Independentemente da importância que tinha na época, lá está registrado que o primeiro campeão nacional desta competição foi o Grêmio. Hoje é uma competição tão importante que, além de garantir uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores, até os clubes brasileiros com direito de jogar a competição sul-americana não deixam mais de disputá-la depois, na fase final.
A história sempre releva fatos secundários. Em 1979, por exemplo, está registrado o título inédito de campeão brasileiro invicto do Internacional sem dar muita importância para a briga dos clubes paulistas com a CBF (na época ainda CBD), que deixou de fora daquele campeonato Corinthians, São Paulo, Santos e Portuguesa. Este ano, o Inter tem a chance de entrar para a história como o primeiro campeão da competição nacional que será lembrada depois como o marco da independência dos clubes brasileiros em relação à corrupta CBF.
(*) Roberto d’Azevedo - Jornalista