sexta-feira, 18 de março de 2016

Tiro de meta

Três pontos de distância

Carla Seabra (*)

Três pontos, apenas, separam Grêmio (na terceira colocação, somando 19) e Inter (em quinto, com 16), no Campeonato Gaúcho. Basta o tricolor não pontuar e o Inter vencer, que tudo se iguala. Assim como o futebol apresentado pela dupla. Não vejo uma das equipes se destacando a ponto de dizer: “é melhor que o”.  Neste final de semana, o Inter pega o Lajeadense, no Alviazul, e o Grêmio vai a Erechim, encarar o Ypiranga.

O Grêmio anda melhor com o misto do que com a equipe principal. Contra o Cruzeiro, na rodada passada, foi assim, com um bom entendimento entre Bobô e Lincoln, resultando em jogadas agudas no ataque. Ah, e marcando a saída de bola do adversário, coisa que eu repito sem cansar. Já a equipe principal ainda preocupa. A cratera que existe entre o meio e o ataque ainda é gigantesca. Marcelo Oliveira, nos dois últimos jogos, pela Libertadores, não foi bem. Em compensação, Marcelo Grohe e Geromel salvaram a equipe de Roger. Giuliano ainda está devendo uma atuação que agrade ao crítico mais exigente.

Já o Inter terá os retornos de Anderson e de Paulão. Querem minha sinceridade? Grande coisa! Não acho que eles colaborem muito. O ex-gremista tem sido tão útil ao Inter quanto o ex-colorado Giuliano ao tricolor. Dá pra imaginar, certo? E o Paulão, fora alguns arroubos que surpreendem, não passa de um zagueiro mediano, que chega junto. Às vezes até demais. Apesar de Réver, o substituto... Difícil escolha.

Ou seja, dois jogos típicos de Gauchão, pedreira absoluta para a dupla, fora de casa.

Antes de encerrar, deixa eu falar “nele” de novo. Na minha aposta, tema de uma das minhas primeiras colunas deste ano: Lincoln. Não porque fez um gol salvador, contra o San Lorenzo, e deu sobrevida aos gaúchos na Libertadores. Mas porque joga muita bola. Aliás, não sei porque ele sequer ficou no banco, no jogo anterior da mesma competição. Ele tem um futebol diferenciado, claro que com a ansiedade do jovem que é, mas é daqueles jogadores que entortam adversário e que, quando perdem a bola, vão atrás e tentam recuperá-la a todo custo. Lincoln é assim. Não tem jogada perdida com ele.  É agudo, é ágil, é veloz, é craque. Não tenho medo de afirmar: é craque. E eu vibro quando vejo um craque - tão em falta no futebol brasileiro, atualmente - se revelar.  É isso por hoje. Boa rodada para todos, no Gauchão.

(*) Carla Seabra – Jornalista e Cronista Esportiva – Editora na TV Record/RS