Só os goleiros voam
Nico Noronha (*)
No último dia 3 o técnico Dunga convocou os jogadores que defenderão a Seleção Brasileira nos jogos contra Uruguai e Paraguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Entre eles, os goleiros de Grêmio e Inter, Marcelo Grohe e Alisson. Os dois gaúchos, um natural de Campo Bom, outro de Novo Hamburgo, são os únicos profissionais da dupla Gre-Nal entre os convocados.
Grohe e Alisson estão, como dizem por aí, “voando baixo”. São, no momento, sem nenhuma dúvida, as principais estrelas dos dois grandes clubes do Rio Grande do Sul. O gremista Grohe fez, na última terça-feira, em Buenos Aires, uma das mais espetaculares atuações de um goleiro brasileiro em terras argentinas. Não me lembro de um que tenha feito tanto na casa deles. Quanto ao colorado Alisson, é simplesmente o atual titular da Seleção Brasileira. Ao menos o foi nos últimos jogos, contra Argentina e Peru, com boas atuações...
Por coincidência, na noite desta quinta-feira me peguei assistindo outra vez ao belo e premiado filme “Meninos de Kichute”, que conta a história do garoto Beto, 12 anos, que sonhava em ser goleiro da Seleção. Num determinado momento, quando estava no hospital com a perna quebrada, um velho que passava a noite na cama ao lado lhe disse, como a incentivá-lo para superar o trauma: “Nunca esqueça, só os goleiros voam”.
E Beto voou atrás do sonho, assim como devem ter voado Marcelo Grohe e Alisson Becker, em sua infância pampeana, muito antes de se tornarem os ídolos que hoje são. Atualmente eles voam como poucos nesse mundo.
(*) Nico Noronha – Jornalista, co-autor do livo “A História dos Gre-Nais”