Vai ter golpe!
Jayme Eduardo
Machado (*)
A
torcida brasileira pensou já haver visto tudo depois dos 7x1 da Alemanha. Mas
não. O destino ainda lhe havia reservado a emoção de conseguir empatar com o
Paraguai nos estertores de um jogo banal. E viu Dunga - feito treinador-, e sua
corte de empresários - feitos membros da comissão técnica -, explodirem de pura
alegria na frente da casamata em histeria triunfal, cercados pela mais eufórica
das euforias, em coro com a diminuta torcida constrangida a gritar “... Brasil,
Brasil ! “, porque empatamos no
“Defensores Del Chaco”.
No
campo, ela acabara de ver o futebol a que chegamos. Jogadores em sua maioria
medíocres para representar um país tantas vezes campeão do mundo, todos herdeiros
espúrios de uma tradição aviltada por dirigentes atraídos pelo poder, por ele fascinados e
depois corrompidos. O que aliás parece ser a regra por aqui.
Em
certos momentos, tal era o descompromisso, que a torcida brasileira parecia presenciar um
passeio turístico de compatriotas à cata
de bugigangas em “Puerto Stroessner”, há alguns quilômetros dali. Como naquele
lance em que um idoso com nome de santo - se não me engano Roque Santa Cruz –
circulou entre três brasileiros, lançou a bola na direção do que Daniel Alves
imaginou fossem suas costas, mas não. Bastou que o paraguaio se adiantasse dois
passos para o multi-campeão do mundo se convencer de que estava enganado. Mas
aí - como dizia meu pai quando um
jogador disparava sem possibilidade de controle – o boi já tinha fugido com a
corda só no pescoço.
Aliás,
a torcida que já vira antes o mesmo Daniel – que, motivado pelos euros do
Barcelona, costuma ir e vir com extraordinária velocidade pelo lado direito do
ataque – voltar se arrastando para impedir, sem qualquer êxito, que outro
paraguaio cruzasse para acontecer o primeiro gol. Não surpreende, portanto -
pois tem caráter - que se esforçasse até o glorioso empate conseguido por ele
mesmo. Enfim, os que costumam jogar só
jogaram quando bateu o desespero, e os que não costumam jogar continuaram não
jogando.
Resumindo,
os ingênuos vibraram, os céticos desconfiaram, mas os realistas afirmam,
observando Dunga e seus acólitos: “... há algo estranho no ar. Vai ter
golpe!.
(*) Jayme
Eduardo Machado – Membro do Conselho Consultivo do Grêmio