quarta-feira, 30 de março de 2016

Linha da Bola

Vai ter golpe!

Jayme Eduardo Machado (*)

A torcida brasileira pensou já haver visto tudo depois dos 7x1 da Alemanha. Mas não. O destino ainda lhe havia reservado a emoção de conseguir empatar com o Paraguai nos estertores de um jogo banal. E viu Dunga - feito treinador-, e sua corte de empresários - feitos membros da comissão técnica -, explodirem de pura alegria na frente da casamata em histeria triunfal, cercados pela mais eufórica das euforias, em coro com a diminuta torcida constrangida a gritar “... Brasil, Brasil ! “, porque empatamos  no “Defensores Del Chaco”. 

No campo, ela acabara de ver o futebol a que chegamos. Jogadores em sua maioria medíocres para representar um país tantas vezes campeão do mundo, todos herdeiros espúrios de uma tradição aviltada por dirigentes  atraídos pelo poder, por ele fascinados e depois corrompidos. O que aliás parece ser a regra por aqui.

Em certos momentos, tal era o descompromisso, que  a torcida brasileira parecia presenciar um passeio turístico  de compatriotas à cata de bugigangas em “Puerto Stroessner”, há alguns quilômetros dali. Como naquele lance em que um idoso com nome de santo - se não me engano Roque Santa Cruz – circulou entre três brasileiros, lançou a bola na direção do que Daniel Alves imaginou fossem suas costas, mas não. Bastou que o paraguaio se adiantasse dois passos para o multi-campeão do mundo se convencer de que estava enganado. Mas aí  - como dizia meu pai quando um jogador disparava sem possibilidade de controle – o boi já tinha fugido com a corda só no pescoço.

Aliás, a torcida que já vira antes o mesmo Daniel – que, motivado pelos euros do Barcelona, costuma ir e vir com extraordinária velocidade pelo lado direito do ataque – voltar se arrastando para impedir, sem qualquer êxito, que outro paraguaio cruzasse para acontecer o primeiro gol. Não surpreende, portanto - pois tem caráter - que se esforçasse até o glorioso empate conseguido por ele mesmo.  Enfim, os que costumam jogar só jogaram quando bateu o desespero, e os que não costumam jogar continuaram não jogando.

Resumindo, os ingênuos vibraram, os céticos desconfiaram, mas os realistas afirmam, observando Dunga e seus acólitos: “... há algo estranho no ar. Vai ter golpe!. 


(*) Jayme Eduardo Machado – Membro do Conselho Consultivo do Grêmio