Copa da Rússia sem o Brasil
Nico Noronha (*)
Rússia, 2018. Aí estão o local e o ano da 21ª Copa do Mundo de Futebol. A primeira que poderá se realizar sem a presença ilustre do mais vitorioso de seus participantes, o Brasil. Nosso afastamento da maior competição esportiva do planeta Terra está se encaminhando a passos largos. Passado 1/3 da caminhada nas Eliminatórias, a seleção dos canarinhos é uma decepção gigantesca e, terminada hoje a campanha, o time não pegaria sequer a repescagem. Um desempenho entristecedor.
Em seis jogos foram apenas duas vitórias. E o que está por vir torna a expectativa dos brasileiros ainda mais sombria: o próximo jogo será contra o Equador, em setembro, na altitude de Quito, onde nenhuma seleção conseguiu vitória até agora. Pior: a equipe de Dunga não transmite confiança alguma aos torcedores e não há nenhuma esperança de que surja algum talento mágico capaz de fazer renascer a crença de que no Brasil se pratica futebol de qualidade nesta segunda década do Século XXI.
Assim, como nunca antes na história desse País, poderemos acompanhar uma Copa do Mundo sem maior envolvimento emocional, totalmente distantes. Ficaremos em frente às nossas televisões de polegadas diversas, assistindo as poderosas Alemanha e Itália na luta para igualar nosso pentacampeonato; constataremos a evolução do futebol asiático, como Japão e Coréia do Sul; e até conseguiremos dar algumas risadas ao confirmar, outra vez, a dureza eterna do futebol da Austrália ou da Nova Zelândia.
Ao mesmo tempo em que a Fifa Cup estará em disputa nos gramados russos, aqui na Terra Brazilis uma geração de futebolistas ficará marcada até o fim dos tempos como a “geração fracassada”. O Brasil tem uns poucos jogadores de primeira linha, tais como Willian, Lucas Lima ou Douglas Costa; uma estrela solitária, que é Neymar; mas não possui nem sombra de um time.
Não há como se entusiasmar com esse amontoado de atletas correndo atrás da bola sem uma esquematização tática ou grupo de 11 titulares definidos. Há, isso sim, que se acostumar com a ideia de que o Mundial da Rússia, primeiro da história a se realizar no leste europeu, poderá mesmo não contar com o Brasil, único país que esteve presente em todas as Copas desde que ela nasceu, no Uruguai, no distante 1930. E isso será uma tristeza.
(*) Nico Noronha - Jornalista, co-autor do livro "A História dos Gre-Nais" com David Coimbra e Mário Marcos de Souza