Um protesto
pelo futebol brasileiro
José Evaristo
Villalobos/Nobrinho (*)
Já
escrevi que o futebol brasileiro do passado era melhor do que o atual e
justifiquei: até a década de 70 nossos principais jogadores aqui atuavam. E havia
muitos por aqui. Ponto. No futebol brasileiro de hoje apenas Neymar pode ser
considerado um fora de série, cercado por valentes e dedicados companheiros.
Ponto. Então, quem viu futebol bonito e eficiente viu? Não. Basta ligar a
televisão e olhar admirado para o Barcelona em campo. Um time com três craques
indiscutíveis, Messi, Suarez e Neymar, mais Iniesta, letais para os adversários
e que fazem toda a diferença. Cercado
por companheiros que crescem ao natural agradecendo tão boa parceria.
Chega
a ser deprimente assistir a um jogo do Barcelona cedo da tarde e no final do
dia se deparar com uma partida do futebol brasileiro. Pela técnica, gramado,
pelo público... Do Gauchão, então, sinto até pena – afora o Gre-Nal. O
Barcelona lembra os grandes times brasileiros do passado por contar com
craques, uma escalação quase sempre definida e a capacidade de atacar e
defender com a mesma voracidade. Vejam que até Messi, Suarez e Neymar voltam
pra marcar, ou pelo menos cercam seus adversários para dificultar seus
movimentos, além de marcarem incontáveis gols.
Qual
a saída para isso? Imitar os caras. Foi assim que os europeus cresceram –
contratando os melhores estrangeiros e agregando a eles sua grande capacidade
de organização. É verdade que o futebol brasileiro tem cinco títulos mundiais e
ainda é respeitado por todos lá fora. Mas, pela pobreza do País e completa
incompetência de seus dirigentes tende a afundar ainda mais. O paliativo seria
a realização de um grande Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, respeitando-se
datas, prazos, lei e tudo que é de direito. E a diminuição dos regionais cada
vez mais menos atrativos e extremamente
deficitários.
Até
nosso calendário poderia ser alterado imitando o dos europeus e assim, de
alguma forma, tentar impedir que nossos principais jogadores possam ir embora
tão cedo. É inadmissível que os principais clubes brasileiros paguem para jogar
nos primeiros quatro meses do ano e que nossas promessas peguem o avião antes
de completarem, ao menos, 21 anos. Tenho certeza de que ainda nascem craques
aqui, pois está no DNA dos guris da nossa terra.
Mas,
infelizmente, não acredito em mudanças. A CBF teve um ex-presidente preso e
outro que não arrisca sair do País temendo o mesmo motivo. O técnico da Seleção
é fraco e não tem experiência para ocupar o cargo. O Brasil vai se classificar
para a próxima Copa, o que sempre fez e um pano será colocado por cima de tudo
esperando a Copa da Rússia. Isso, se o Brasil não vencer o futebol na Olimpíada
onde enfrentará adversários bem mais fracos do que os da Copa do Mundo. Aí, os
ufanistas farão festa.
Minha
esperança é que o País está mudando. Domingo houve manifestações políticas em
todo o País, o que é saudável para a democracia. Bem que poderia haver um
grande protesto pela moralização do futebol, ainda a grande paixão dos
brasileiros. Está dada a ideia. O que não pode acabar é o sonho, como
profetizou o poeta Jonh Lennon...
(*) José
Evaristo Villalobos/Nobrinho – Jornalista, ex-assessor de imprensa do Sport
Club Internacional