O Gre-Nal sempre se faz
diferente e atraente
Júlio Sortica (*)
Como
recebi os textos de todos os colaboradores, li e revisei antes de liberar,
fiquei sabendo sobre o foco de cada um. Todos muito interessantes, alguns surpreendentes,
outros inovadores, cada um com seu estilo. E como deixei para, de certa forma,
fechar o ciclo, fiquei numa sinuca de bico: qual o tema para um abordagem
interessante? Mas qual, o Gre-Nal é infinito e sempre haverá novidades. Em
resumo, mesmo que não queiramos, o Gre-Nal se faz diferente, ou por natureza
própria, no decorrer dos fatos normais, ou por aqueles que são provocados. Às
vezes deliberadamente, forçados por alguma circunstância, e outras, por
ironias do destino.
Assim,
quando fazia parte de uma das muitas equipes na redação de esportes,
invariavelmente, as reuniões de pauta envolviam descobrir aspectos
interessantes. As estreias tinham cadeira cativa, as táticas também. As
provocações, desafios – nos anos 80, 90 – eram mais frequentes, mas hoje caíram muito pela burocracia
profissional dos atletas e dirigentes e a blindagem feita pelas assessorias de
imprensa, obedecendo ordem da diretoria, claro. Porém, mesmo com tudo isso, o
Gre-Nal sempre se faz diferente. E o clássico 409 tem seus atrativos.
Não
sei porque lembrei agora de dois grenais malucos no Gauchão de 1982, quando o
centroavante Geraldão fez cinco gols (dois no primeiro e três no segundo jogo). O técnico era
Ernesto Guedes, que andava com um braço gessado – vítima de um tiro acidental –
que incendiou o campeonato, como era de seu estilo. Acho que lembrei desse fato
porque o Geraldão tinha sido jogador do Grêmio no ano anterior, e o Grêmio
tinha o Batista, que havia sido do Inter. Coisas incríveis do Gre-Nal, que mesmo
centenário, se renova a cada edição.
E para
este Gre-Nal 409, podemos destacar ao menos três aspectos interessantes. E como
eu ressaltei, alguns naturais, do próprio dia-a-dia dos clubes, e outros
circunstanciais. Assim, o clássico muito a pena porque existe uma grande
expectativa pela estreia do equatoriano Miller Bolaños pelo Grêmio, as atuações
dos garotos do Inter e também pelo fato de o clássico valer em dobro. Isso pode
parecer lunático, mas é real: o Gre-Nal vale pelo Gauchão e pela Primeira Liga.
Então, o Gre-Nal não se renova a cada edição? Aproveitem e valorizem o clássico.
(*) Júlio Sortica – Jornalista,
vice-presidente da Associação dos
Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS.