sábado, 5 de março de 2016

Começo de jogo

O Gre-Nal sempre se faz diferente e atraente

Júlio Sortica (*)

Como recebi os textos de todos os colaboradores, li e revisei antes de liberar, fiquei sabendo sobre o foco de cada um. Todos muito interessantes, alguns surpreendentes, outros inovadores, cada um com seu estilo. E como deixei para, de certa forma, fechar o ciclo, fiquei numa sinuca de bico: qual o tema para um abordagem interessante? Mas qual, o Gre-Nal é infinito e sempre haverá novidades. Em resumo, mesmo que não queiramos, o Gre-Nal se faz diferente, ou por natureza própria, no decorrer dos fatos normais, ou por aqueles que são provocados. Às vezes deliberadamente, forçados por alguma circunstância, e outras, por ironias do destino.

Assim, quando fazia parte de uma das muitas equipes na redação de esportes, invariavelmente, as reuniões de pauta envolviam descobrir aspectos interessantes. As estreias tinham cadeira cativa, as táticas também. As provocações, desafios – nos anos 80, 90 – eram mais frequentes,  mas hoje caíram muito pela burocracia profissional dos atletas e dirigentes e a blindagem feita pelas assessorias de imprensa, obedecendo ordem da diretoria, claro. Porém, mesmo com tudo isso, o Gre-Nal sempre se faz diferente. E o clássico 409 tem seus atrativos.

Não sei porque lembrei agora de dois grenais malucos no Gauchão de 1982, quando o centroavante Geraldão fez cinco gols (dois no primeiro  e três no segundo jogo). O técnico era Ernesto Guedes, que andava com um braço gessado – vítima de um tiro acidental – que incendiou o campeonato, como era de seu estilo. Acho que lembrei desse fato porque o Geraldão tinha sido jogador do Grêmio no ano anterior, e o Grêmio tinha o Batista, que havia sido do Inter. Coisas incríveis do Gre-Nal, que mesmo centenário, se renova a cada edição.

E para este Gre-Nal 409, podemos destacar ao menos três aspectos interessantes. E como eu ressaltei, alguns naturais, do próprio dia-a-dia dos clubes, e outros circunstanciais. Assim, o clássico muito a pena porque existe uma grande expectativa pela estreia do equatoriano Miller Bolaños pelo Grêmio, as atuações dos garotos do Inter e também pelo fato de o clássico valer em dobro. Isso pode parecer lunático, mas é real: o Gre-Nal vale pelo Gauchão e pela Primeira Liga. Então, o Gre-Nal não se renova a cada edição? Aproveitem e valorizem o clássico.

(*) Júlio Sortica – Jornalista, vice-presidente da Associação dos  Cronistas Esportivos Gaúchos/ACEG-RS.