José Aldo Pinheiro (*)
O Gre-Nal 409 tem a aparência de um clássico comum. Mas em verdade os clássicos nunca são comuns e, muitas vezes, quando nada se espera, ocorre um daqueles fenômenos que se eternizam na história do Gre-Nal. Poderá ser um novo personagem, uma grande goleada, um grande conflito do tipo uma batalha campal ou um episódio extracampo, como por exemplo a queima de banheiros químicos. Enfim, o clássico sempre reserva um capítulo inédito, o que faz dele a um só tempo um jogo cercado de sonhos e fantasmas, ilusões e medos.
Os medos imediatos do Grêmio estão relacionados ao risco de perder jogadores para a decisão de quarta contra o San Lorenzo, pela libertadores, e os medos mais remotos, secundários, relacionam-se ao fato de não ganhar estaduais desde 2010, ter prometido, por seu presidente, o título deste ano e ver o Inter de Argel Fucks ganhando, se firmando e dando mostrar potencial de alcançar o terceiro hexacampeonato de sua história, mantendo o Grêmio por mais um ano na fila de espera.
No lado do Inter a ilusão está exatamente em alcançar o sonhado hexa e, no sentido oposto, o temor é que o time que vem ganhando sem convencer, seja eventualmente engolido por um modelo melhor trabalhado pelo Roger Machado, por um Grêmio com mais dinâmica de jogo, com mais jogadores experientes que o Inter, que se baseia na jovem "prata-da-casa", com 7 a 8 titulares formandos na nova geração colorada. Eu vejo tudo pelo aspecto positivo.
Esse conjunto de fatores, esse conjunto de interrogações, fazem do clássico um jogo aberto, com a leveza de um favoritismo gremista, primeiro porque a história estatisticamente mostra que o mandante ganha mais que perde e, segundo, porque o Grêmio está mesmo com um grupo mais equilibrado e com maior maturidade que o atual Inter. Mas desconhecer que os jovens do Inter tem qualidade, tornaram o time mais competitivo, com maior capacidade de ocupação de espaços e podem fazer um jogo duro de marcação agressiva e, com isso, não apenas neutralizar, mas ganhar do Grêmio dentro da Arena.
Não visualizar todos esses valores no horizonte do Gre-Nal, seria dar uma demonstração de anencefalia futebolística. Então, a conclusão natural é que teremos um jogo com qualidade, competitividade, grande público e de muitos gols.
(*) José Aldo Pinheiro – Radialista e advogado. Narrador e apresentador da equipe da Band/RS