André Malinoski (*)
O Homem Gre-Nal é aquele sujeito que surge no clássico e desfruta de sua condição nos dias seguintes, especialmente nas horas posteriores após brilhar contra o principal adversário. Reconhecido assim que aparece na rua, todos querem dar um tapinha em suas costas, tirar fotos e pegar seu autógrafo. O Homem Gre-Nal é simplesmente um sucesso.
Quem será o Homem Gre-Nal da partida deste domingo na Arena? E olha que esse jogo vale por duas competições diferentes: Gauchão e Primeira Liga. Sempre há candidatos, alguns até prováveis e outros nunca imaginados para ganhar os louros do reconhecimento e entrar em uma galeria que jamais é esquecida pelo torcedor e sempre será cantada em prosa e verso antes de um novo clássico.
O Homem Gre-Nal pode até não jogar bem outras partidas, mas sempre estará ligado ao clube e ao coração de seus torcedores por ter feito barbaridades exatamente na hora mais emblemática. Não foi assim com Nilson, Jorge Veras, Lima, Fabiano e D'Alessandro, só para ficar em alguns dos anos 80 para cá?
O Homem Gre-Nal é reconhecido até por quem não gosta de futebol, ou nem acompanhou o clássico. Ele estará nas fotos coloridas dos jornais e sites, nas televisões e sua voz será ouvida e repetida sem piedade pelas rádios. Se fizessem um boneco de souvenir do Homem Gre-Nal nos dias posteriores ao seu triunfo, seria um sucesso incrível de vendas.
Então, antes de saber quem joga ou qual esquema tático Roger e Argel pretendem colocar em campo, sempre procuro pensar no Homem Gre-Nal. Ele pode estar ali entre os titulares ou sair do banco de reservas para alçar voos em direção à glória eterna dos outros Homens Gre-Nais da história do clássico.
Ruim mesmo é quando o principal encontro do futebol gaúcho termina sem gols e não há Homem Gre-Nal algum. É como uma sorveteria que não tenha o sabor de chocolate, ou uma churrascaria sem a boa e velha costela. Deve ser algo danado caminhar na rua no dia seguinte ao clássico e não ter ninguém querendo dar um tapinha em suas costas.
(*) André Malinoski – Editor de Esportes de O SUL, autor do livro “Os Gigantes Estiveram Aqui”