Antônio Bavaresco (*)
Muito se discute sobre a importância ou não dos treinadores para o desempenho dos times. Como cronista esportivo por muito anos, convivi diariamente com técnicos consagrados, como Evaristo Macedo, Abel, Valdir Espinosa, Tite, Otacílio Gonçalves, Cláudio Duarte, Celso Roth e muitos outros. Em vários deles era (e é, como no caso do Tite) possível identificar um jeito de colocar o time.
Mas o futebol brasileiro passa por uma transição e os treinadores da chamada "nova safra" ainda buscam afirmação. Ainda assim, é possível ver-se bons exemplos e outros nem tanto. Eduardo Batista, para citar um, ficou no meio do caminho. Trocou o Sport pelo Flu e nunca conseguiu confirmar o desempenho que teve em Recife. O mesmo valeu para Marcelo Oliveira, que saiu do Cruzeiro para o Palmeiras e lá nunca teve os mesmos resultados, até ser demitido.
O resultado, aliás, às vezes mascara a competência do profissional, senão vejamos. Quantos treinadores de “um trabalho só” a gente já viu? E quantos foram campeões mais “por acaso” do que por competência. Mas como observador, por ora amador, gosto de identificar “a mão” do técnico, especialmente quando ela, para mim, parece saltar aos olhos. Ontem, por exemplo, depois de ver o belo gol de Bobô, abrindo o placar para o Grêmio, contra o Lajeadense, fui correndo para o You Tube para confirmar uma impressão: a de que eu já tinha visto aquele gol do Grêmio, antes, com outros jogadores e em outros jogos.
E está lá: Figueirense x Grêmio, no Scarpelli, Brasileirão do ano passado, troca de passes do meio e ataque, assistência de Bobô, infiltração da esquerda para o meio e gol de Pedro Rocha; Libertadores da América 2016, Grêmio x LDU, troca de passes, assistência de Douglas para a penetração de Éverton, da esquerda para o meio, que faz o gol. Essa jogada, aliás, aconteceu no primeiro jogo do Grêmio de Roger, na Arena, contra o Corinthians, vitória de 3 a 1.
Isso, senhores, não é obra do acaso. Não é “gol de escanteio” ou de “bola alçada na área”. Isso senhores, não é “achar” o resultado no talento dos jogadores e depois dizer: “os resultados falam por mim!” Isso, senhores não é apenas “trabalho”, pois trabalhar todos trabalham. Isso é didática para fazer acontecer o que se planeja, somando método, com estratégia e o talento dos jogadores. Isso é o que faz um treinador. Seja ontem, hoje ou nas décadas que virão.
(*) Antônio Bavaresco – Jornalista – Assessor de Imprensa na Prefeitura Municipal de Porto Alegre