Lincoln: o menino-homem de talento
André Malinoski (*)
O homem da casa tem 17 anos, sempre ajudou a família e até pai já é. Relativamente franzino, saiu do nada para despontar no mundo do futebol aos 44 minutos do segundo tempo. Na última terça-feira, quando a partida do Grêmio contra o San Lorenzo se encaminhava para o apagar das luzes com os argentinos vencendo por 1 a 0, coube a esse menino-homem a tarefa de deixar tudo igual no placar do Nuevo Gasómetro.
O gol de Lincoln não salvou apenas o Grêmio na Libertadores. Aquele gol funcionou para ele como um bilhete premiado de loteria ou um passaporte para o futuro. No começo do ano, o jogador era visto como promessa, agora é realidade. Depois de atuar diante do Cruzeiro, ocasião em que também marcou gol, e em parte do tempo contra o San Lorenzo, Lincoln recebe nova oportunidade neste fim de semana, em jogo com o Ypiranga, pelo Gauchão.
É como se o destino estendesse a mão para ele. Chances aparecem devido a lesões, excesso de competições ou suspensões de colegas. Lincoln, na sabedoria de seus 17 anos, tem aproveitado cada segundo em campo, seja como meia-atacante ou um pouco mais centralizado, como Roger Machado o tem escalado na equipe.
Vejam que Lincoln não tem idade para servir à Pátria ou dirigir um carro ainda. É jovem demais e tem muita estrada pela frente. Tudo tem acontecido muito rápido para esse porto-alegrense. Só quem veio para fazer diferença e vencer a própria vida sabe o que é isso. É necessário agarrar o destino pela crina mesmo que a oportunidade apareça aos 44 minutos do segundo tempo. É preciso ser muito o homem da casa para escrever uma história tão bonita com apenas 17 anos.
(*) André Malinoski – Jornalista, Editor de Esportes de O SUL e autor do livro “Os Gigantes Estiveram Aqui”